Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Pesquisa, desenvolvimento e inovação de fitoterápico anticâncer a partir de plantas medicinais do Vale do Araguaia, Mato Grosso, Brasil, com potencial aplicabilidade pelo Sistema Único de Saúde
Jéssica Vaz da Silva

Última alteração: 03-10-19

Resumo


O câncer é uma enfermidade caracterizada pelo crescimento desordenado, descontrolado e persistente de células, sendo considerado um dos mais importantes problemas de saúde pública mundial. Essa patologia vem despertando o interesse na pesquisa e desenvolvimento de fármacos com atividade antitumoral. As plantas medicinais e seus extratos que representam a base da medicina tradicional, são, de longa data, amplamente usadas para o tratamento de diferentes enfermidades, incluindo o tratamento do câncer. Neste sentido, o estado de Mato Grosso apresenta uma rica diversidade florística e étnico-cultural, porém com baixa capacitação e produção científica na área. O presente estudo tem como objetivos avaliar o potencial citotóxico e antineoplásico de extratos hidroetanólicos de plantas medicinais utilizadas na microrregião do Norte Araguaia, bem como estabelecer o perfil fitoquímico do extrato com maior atividade farmacológica, com vistas ao desenvolvimento de fitoterápico anticâncer e à capacitação de pessoas para a academia, serviços e complexo industrial de saúde. As plantas foram selecionadas do artigo “Ethnobotanical study of medicinal plants used by Ribeirinhos in the North Araguaia microregion, Mato Grosso, Brazil” de Ribeiro et al. (2017), usando descritores relacionados ao câncer. Trata-se de um estudo farmacológico pré-clínico, onde o potencial antineoplásico de 15 extratos está sendo avaliado por meio de uma triagem preliminar em quatro linhagens leucêmicas (Kasumi, K562, Jurkart e CCRFCEM) e, o potencial citototóxico destes, avaliado pelo índice de seletividade em células mononucleadas humanas obtidas de sangue periférico de doadores voluntários saudáveis. O extrato que apresentar maior atividade citotóxica em células leucêmicas e maior índice de seletividade será selecionado para aprofundamento dos estudos de atividade e mecanismos de ação anticâncer, em ensaios in vivo em camundongos Mus musculus CD-1 e in vitro (linhagens celulares), bem como para análises fitoquímicas. A citotoxicidade dos extratos (200 – 0,78 μg/mL) foi avaliada pelo método de azul de alamar nos tempos 24 e 48 h e o índice de seletividade calculado pela razão da CI50 das células leucêmicas pela CI50 de células mononucleares de sangue periférico humano em até 72 h. Os resultados foram expressos como CI50 ± E.P.M., sendo considerados citotóxicos valores de CI50 < 30 μg/mL para substâncias impuras e < 4 μg/mL para puras. Foram coletadas 10 plantas e preparados 16 extratos hidroetanólicos de diferentes partes das plantas. Os teores de umidade das partes das plantas utilizadas variaram de 0,5 a 99,85%. Os extratos apresentaram rendimentos entre 5,00 a 23,23%. Quatro (04) extratos mostraram-se promissores na triagem in vitro inicial em células Jukart, apresentando valores de CI50 de 31,57 ± 4,26 - 0,68 ± 0,05 μg/mL em 24 h e 19,24 ± 11,38 - 0.66 ± 0,02 em 48 h. Os resultados parciais exigem a continuidade dos estudos, no intuito de elucidar quais linhagens celulares apresentarão toxicidade seletiva, para seleção de 1 extrato e aprofundamento dos estudos de atividade e mecanismos de ação anticâncer.


Palavras-chave


plantas medicinais, fitoterápico, anticâncer, complexo industrial de saúde, SUS, Mato Grosso