Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Educação e vivências infantis no contexto hospitalar: representações sociais sobre o cuidado de crianças portadoras de doenças crônicas-degenerativas ou em fase terminal, segundo crianças hospitalizadas, seus familiares e profissionais de saúde
MILENE GABRIELA WINCK DE CARVALHO, Daniela Barros da Silva Freire Andrade

Última alteração: 01-10-19

Resumo


Pesquisas desenvolvidas sobre o cuidado no contexto da enfermaria pediátrica anunciam a compreensão em torno da qual afirma-se que o desenvolvimento humano apenas se encerra após a morte. No entanto, um grande sistema de relações interpessoais é afetado com este evento, aspecto que se intensifica quando se trata da morte de crianças. A análise sobre a repercussão dos cuidados paliativos no âmbito da subjetividade de adultos e crianças justifica-se a medida que o trabalho multiprofissional pode forjar novos sentidos sobre esta realidade ao passo que se apoia na filosofia dos cuidados paliativos, e suas práticas de atuação diante dessa clientela, considerado os fatores físicos,  emocional, bem como o social e  espiritual. O presente estudo, fundamenta-se na abordagem psicossocial e propõe identificar e analisar as significações partilhadas por crianças, seus familiares e profissionais de saúde sobre o cuidado perante doenças crônico‑degenerativas ou em fase terminal e suas implicações. A proposta insere-se no projeto guarda-chuva intitulado A construção do conhecimento social por crianças: estudo sobre vivências e significações infantis, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Daniela Barros da Silva Freire Andrade no interior do Grupo de Psicologia em Psicologia da Infância (GPPIN). O aporte teórico adotado fundamenta-se entre o diálogo da teoria das representações sociais, com base em uma abordagem ontogenética; e perspectiva vigotskiana, que discute o desenvolvimento humano como um fenômeno social, cultural e historicamente construído. Em interlocução apoia-se, também, nos estudos teóricos sobre narrativas como uma modalidade de comunicação que possibilita a emergência de processos subjetivos individuais e grupais, assim como forma de interpretar a realidade, mediação no contexto da hospitalização de crianças e seus recorrentes processos de significação. A partir do recorte proposto, busca-se explorar as implicações identitárias de tais conteúdos representacionais e analisar sua relação com as estruturas de oportunidade para o desenvolvimento de adultos e crianças no contexto dos cuidados paliativos. A etapa de produção de dados será realizada na enfermaria pediátrica de um Hospital de Ensino da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, campus Cuiabá-MT, ao longo de três meses. Os participantes compreenderão crianças hospitalizadas com idades entre seis e treze anos, seus familiares e profissionais de saúde vinculados na referida instituição de saúde. A metodologia empregada inspira-se na abordagem do tipo etnográfico, ao privilegiar o procedimento de observação participante, da dinâmica do cotidiano hospitalar e análise documental; a realização de entrevista individuais semiestruturada; combinado com a abordagem metodológica de História de Vida, e estudo de caso, com intuito de favorecer que a criança expresse aspectos subjetivos de sua vivência hospitalar. Enfatiza-se a relevância da mediação a partir da noção de adulto atípico, como orientador das relações estabelecidas com as crianças. Os dados oriundos da observação serão analisados compreensivamente, já aqueles produzidos por meio das entrevistas e metodologia história de vida serão analisados conforme a proposta de núcleos de significação, processo de análise que contempla a realização de etapas que auxiliarão na organização do material textual, permitindo considerar a complexidade do fenômeno investigado.

Palavras-chave


Representações Sociais, Cuidado Paliativo, Enfermaria Pediátrica