Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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INTELIGIBILIDADE DE LÉSBICAS EM SERVIÇOS DE SAÚDE NA PERSPECTIVA DA INTERSECCIONALIDADE
Kamylla dos Cavalcante Taques dos Reis, Moises Alessandro de Souza Lopes

Última alteração: 11-10-19

Resumo


Est projeto de dissertação para o mestrado se propõe a analisar a construção da saúde e políticas públicas em saúde sexual e reprodutiva, enfatizando as principais condicionantes da vulnerabilidade feminina às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)/HIV, tendo em vista a feminização do HIV e outras IST, levando em consideração a compreensão das categorias de articulação visando pôr em prática a perspectiva da interseccionalidade, nos eixos de gênero, raça e classe social, com foco nas mulheres lésbicas, devido a situação de inteligibilidade pela sociedade e pelos profissionais de saúde, fator que resulta na ampliação da vulnerabilidade desse grupo. O estudo tem por objetivo compreender os significados atribuídos pelos profissionais de saúde do Serviço de Assistência Especializada (SAE) em IST/HIV/Aids e hepatites virais de Cuiabá acerca da relação entre a efetivação dos direitos sexuais e reprodutivos de lésbicas por meio de políticas públicas de saúde e a vulnerabilidade dessas mulheres à infecção por IST/HIV. Para tanto, será utilizada a abordagem etnográfica em pesquisa, utilizando como estratégia de coleta de dados a observação participante e entrevista semiestruturada, englobando dois grupos sociais: profissionais de saúde e lésbicas. Parte-se do pressuposto de que há despreparo do profissional de saúde para atuar na promoção dos direitos sexuais e reprodutivos dessa população, caracterizado pela dificuldade em abordar as necessidades de saúde relacionadas à expressão da sexualidade em sua totalidade, resultando em um cuidado excludente que reforça a vulnerabilidade dessas mulheres à infecção por IST/HIV. A saúde de mulheres lésbicas é apontada na literatura para as seguintes questões de saúde: câncer de mama, câncer do colo do útero (ocasionado principalmente por HPV), saúde mental afetada por diversas formas de violência, consumo abusivo de álcool e outras drogas, ansiedade causada pelo medo e expectativa de rejeição relacionados à lesbofobia, e por fim as IST. Desta forma, utilizaremos teorias de gênero e sexualidade como subsídio teórico às proposições realizadas, bem como a compreensão das categorias de articulação visando pôr em prática a perspectiva da interseccionalidade, considerando os eixos de gênero, raça e classe social. A situação de vulnerabilidade em saúde sexual e reprodutiva em que se encontram as mulheres lésbicas está exemplificada na não abertura no relacionamento para discutir aspectos relacionados à prevenção das IST/HIV, não percepção e desconsideração da vulnerabilidade às IST/HIV, não reconhecimento de si como sujeito de direitos sexuais e reprodutivos, entre outros aspectos. Assim, compreende-se que as lésbicas estão expostas ao risco de infecção por IST/HIV pela interligação de fatores individuais, sociais e programáticos. Ressalta-se que a invisibilidade desse grupo é em grande parte fruto do enfoque no discurso preventivo no risco à IST/HIV relacionado a práticas sexuais centradas no falo em contexto heterossexual e/ou homossexual masculino, negligenciando as diversas formas de expressão sexual, devido ao predomínio de representações cisheteronormativas na sociedade, fabricando a falsa percepção desse grupo como de baixo risco à infecção.


Palavras-chave


Lesbianidade; Saúde; Interseccionalidade.