Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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EDUCAÇÃO INTERCULTURAL E RECONHECIMENTO DOS POVOS INDÍGENAS NA ESCOLA URBANA
Sandra Regina Braz Ayres, Beleni Salete Grando

Última alteração: 01-10-19

Resumo


Apresentamos nossa pesquisa de doutorado cujo tema definimos como “Educação Intercultural e Reconhecimento dos Povos Indígenas na Escola”. O projeto de pesquisa se articula à atividade da pesquisadora como formadora do Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica (CEFAPRO) de Sinop/MT, responsável por atender três escolas estaduais no município de Colíder/MT. A partir de um diagnóstico inicial sobre os estudantes indígenas matriculados nas escolas deste município que recebe muitos indígenas do Parque Nacional do Xingu cujos filhos acessam as escolas urbanas configurando-as como um espaço significativo de complexidade étnico-cultural que desafia os educadores. A pesquisa delimita uma escola que apresenta atualmente 54 estudantes indígenas, pertencentes às etnias: Kaiapó, Tapayuna, Apiaká, Jurukatu, Panará, Kaiapó/Tapayuna, Panará/Kaiapó. O estudo em desenvolvimento tem por objetivo compreender como se estabelecem as relações entre professores de uma escola pública urbana do município de Colíder com os estudantes indígenas que compõem a comunidade escolar, a fim de identificar e propor projetos de formação contínua para a Educação Intercultural, a fim de contribuir com uma prática pedagógica capaz de reconhecer os diferentes saberes e promover aprendizagens significativas para todos os estudantes nela matriculados. De acordo com Walsh (2009), assumir a interculturalidade na perspectiva crítica trata de questionar as diferenças e desigualdades construídas ao longo da história entre diferentes grupos socioculturais, étnico-raciais, de gênero, orientação sexual, entre outros. É um trabalho que procura desafiar e derrubar as estruturas sociais, políticas e epistêmicas da colonialidade, que mantém padrões de poder enraizados na racialização do conhecimento eurocêntrico e na inferiorização de alguns seres como menos humanos. A autora aponta a necessidade da construção de sociedades que assumam as diferenças como constitutivas da democracia e sejam capazes de construir relações novas, verdadeiramente igualitárias entre os diferentes grupos socioculturais (WALSH, 2009). A investigação seguirá os pressupostos da pesquisa qualitativa, com enfoque na pesquisa-ação. Nesse tipo de pesquisa existe uma ação efetiva entre os participantes. Pesquisador e pesquisados desempenham papel ativo na situação investigada no acompanhamento e na avaliação das ações, com vistas à criação de um ambiente de aprendizagem partilhada, capaz de promover reflexões, diálogo, autonomia, pesquisa, formação e o trabalho coletivo, beneficiando o desenvolvimento da práxis educativa (THIOLLENT, 2011). A coleta de dados acontecerá por meio de observação, entrevista, questionário e diário de campo. Esperamos com esta pesquisa buscar respaldo teórico metodológico que possibilite desenvolver uma proposta de formação contínua que contribua para a construção de uma proposta metodológica intercultural que assegure o diálogo, o respeito e a aprendizagem dos alunos e alunas indígenas de diferentes culturas presentes no espaço escolar urbano, uma vez que esta é a realidade que se apresenta cada vez mais nas muitas escolas públicas de Mato Grosso, um desafio de acolher o direito dos mais de quarenta e três povos indígenas com suas línguas, identidades e culturas específicas.


Palavras-chave


Estudantes indígenas. Escola urbana. Educação Intercultural.