Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
MURCHA DAS FOLHAS POR Choanephora spp.: CARACTERIZAÇÃO DA DOENÇA E CONTROLE
Gislaine de Souza Oliveira, Solange Maria Bonaldo

Última alteração: 09-10-19

Resumo


A Choanephora sp. é um fungo extremamente agressivo que afeta diversas lavouras de importância econômica no mundo. No Brasil, há relatos da ocorrência deste patógeno em Crotalaria spectabilis causando abortamento de flores e diminuindo a produção de sementes. Diante disso, este trabalho tem como objetivo analisar a incidência de Choanephora sp., através de testes de sanidade, em lotes de sementes de soja e crotalária comerciais e verificar o potencial antagonista de fungos conidiais sapróbios e levedura no controle do patógeno. Foram analisados 22 lotes de sementes de soja e 9 lotes de crotalária através do plaqueamento em ágar, onde 400 sementes de cada lote foram previamente desinfestadas com solução de hipoclorito de sódio a 1% por três minutos e incubadas em placas de petri de 15 cm de diâmetro em câmara de crescimento BOD a 25 °C ± 2 °C com fotoperíodo de 12 horas por sete dias. Após este período, as sementes foram examinadas individualmente com auxílio de um microscópio estereoscópio a resolução de 30-80X. Foram encontrados sete lotes de sementes infectadas com Choanephora sp. nas amostras de soja, totalizando 22% das sementes com incidência do fungo; para crotalária quatro lotes estavam infectados, conferindo 36% de incidência do patógeno nas sementes. O teste de antagonismo foi dividido em dois ensaios: no primeiro, foi realizado o confronto direto entre patógeno e antagonista utilizando Trichoderma asperellum, levedura, Bacillus sp., e levedura + Bacillus sp.; no segundo ensaio foram utilizados fungos conidiais sapróbios oriundos da Amazônia Meridional: Gonytrichum sp., Pseudobotrytis terrestris, Brachysporiella sp. e, Ellisembia sp. Nos dois ensaios foram utilizados três isolados de Choanephora sp. extraídos de plantas com sintomas da doença (algodão, crotalária e soja), totalizando cinco tratamentos com cinco repetições para cada isolado do patógeno. Em um lado da placa repicou-se um disco de micélio de 7mm do fitopatógeno Choanephora sp. e no outro o antagonista, as placas foram mantidas em BOD a 25 °C ± 2 °C. Aos 21 dias após a montagem do experimento foi realizada a avaliação do confronto direto entre antagonista e patógeno através da escala proposta por Bell (modificada), em que: 1- Patógeno cresce por toda a placa; 1,5- Antagonista cresce 12,5%; 2,0- Antagonista cresce 25%; 2,5- Antagonista cresce 37,5%; 3,0- Antagonista cresce 50%; 3,5- Antagonista cresce 62,5%; 4,0- Antagonista cresce 75%; 5- Antagonista cresce 100%. No primeiro ensaio o Trichoderma asperellum obteve ótimos resultados apresentando ação antagônica para os três isolados de Choanephora sp., diferindo dos demais que não conseguiram impedir o desenvolvimento do patógeno. No segundo ensaio a Ellisembia sp. foi o melhor antagonista de todos os isolados (algodão, crotalária e soja) seguido da Brachysporiella sp., pois conseguiram hiperparasitar a Choanephora sp., colonizando e alimentando-se das hifas do patógeno. Portanto, estes resultados indicam que fungos sapróbios podem ser agentes de controle biológico, e uma alternativa aos métodos convencionais de controle de doenças em plantas, contribuindo para uma agricultura menos agressiva ao ecossistema.

Palavras-chave


Controle biológico, Fungos sapróbios, Sanidade de Sementes