Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Formicidae (Hexapoda: Hymenoptera) como potencial bioindicador de contaminação ambiental por mercúrio: estudo exploratório em área de mineração no ecótone Cerrado-Amazônia
Juliane Dambros, Leandro Dênis Battirola

Última alteração: 08-10-19

Resumo


Estudos recentes com artrópodes, em destaque as formigas têm mostrado bioacumulação de metais pesados na biomassa desses organismos, considerando o impacto de poluição nos habitats, entretanto, pouco se sabe sobre como os metais do solo são transferidos para os organismos, ou seja, são necessários estudos mais completos e sobre a dinâmica destes elementos em ecossistemas naturais e antrópicos. Assim, esse trabalho tem como objetivo avaliar o potencial das formigas (Hymenoptera, Formicidae) como bioindicadoras de contaminação ambiental por mercúrio em áreas de exploração mineral na zona de transição entre Cerrado e Amazônia no norte de Mato Grosso. Este estudo será conduzido em três áreas de floresta distribuídas em um gradiente de aproximadamente 150 km caracterizado pela extensão do rio Peixoto de Azevedo, na região norte de Mato Grosso, no município de Peixoto de Azevedo, área com grande atividade de mineração aurífera. As amostragens serão efetuadas em transectos de 500 m a partir da margem do rio Peixoto de Azevedo. Nestes transectos as amostragens ocorrerão a cada 50 m, totalizando 11 amostras por transecto. Ao todo serão nove transectos, três em cada uma das unidades amostrais (A1, A2 e A3). Nestes locais serão feitas amostragens de formigas com armadilhas de queda tipo pitfall. As amostragens ocorrerão ao longo de dois,[1] 2019 e 2020. Todo o material proveniente das amostragens será transportado para o Laboratório Integrado de Pesquisas Químicas (LIPEQ) e Acervo Biológico da Amazônia Meridional (ABAM) do Instituto de Ciências Naturais, Humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso, Sinop, MT. Após a determinação taxonômica dos indivíduos de cada ponto amostral, o material será transferido do freezer para placas de Petri e acondicionado em estufa de circulação de ar forçada a 60 ºC por 72 h para secagem até o peso constante. Posteriormente, à secagem os exemplares serão triturados/homogeneizados com auxílio de liquidificador industrial. Depois desse procedimento, as amostras da biomassa, serão pesadas (0,2 g de cada amostra) e, posteriormente, dispostas em tubos de digestão adicionando-se 8,0 mL da solução (1:1) de ácido sulfúrico P.A. (H2SO4) e de ácido nítrico P. A. (HNO3). Após 3 h em digestão a frio, os tubos serão aquecidos em bloco digestor a 60 °C, durante 8 h. Decorrido o período mencionado o processo será completado com a adição de 5 mL de peróxido de hidrogênio P. A. (H2O2). Em seguida os extratos serão transferidos para balões volumétricos (25 mL), procedendo-se a diluição com água destilada. O teor de mercúrio total será determinado em equipamento de espectroscopia de absorção atômica Varian AA140, com atomização por geração de vapor frio. A solução padrão utilizada para a curva de calibração é rastreável ao NIST (National Institute of Standards and Technology) Specsol. Espera-se que as formigas bioacumulem em sua biomassa traços de mercúrio presentes no ambiente de acordo com a contaminação da área de mineração.


[1] Juliane Dambros, discente de Programa Pós-Graduação em Biotecnologia e Biodiversidade, Rede Pró-Centro-Oeste.


Palavras-chave


biodiversidade, garimpo, artrópodes