Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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O papel das paisagens montanhosas na gênese da Geografia Moderna
Aparecida Fátima Carvalho Soares Neta

Última alteração: 10-10-19

Resumo


O caminho realizado para se entender as paisagens montanhosas, é necessário investigar o princípio científico do pensamento Ocidental: as investigações e os conceitos filosóficos que remetem a construção científica dos gregos. A priori, os gregos buscavam explicar os fenômenos da natureza por meio da mitologia. As divindades gregas, em uma perspectiva antropomórfica, possuíam vontades e anseios semelhantes aos dos homens, dessa forma, surgiram alguns questionamentos, como seria possível a explicação dos fenômenos da natureza, se estes dependiam da vontade de um ou até mesmo vários deuses? A montanha nesse período é morada somente alçada por atos heroicos, mesmo que cercando toda a Grécia. Os deuses em seus anseios, poderiam subjugar os atos humanos do topo da montanha, o que implicaria na história do mundo grego, toda uma imponência por uma paisagem elevada e arrebatadora. Entretanto, os antigos gregos, gradativamente começam a se reconhecer nas montanhas, tornando-as parte da família, a terra como sequência de um povo. Contudo o paradoxo sobre o conhecimento mítico da natureza passaria a ser ponto de crítica dos filósofos do período pré-socráticos, os filósofos da natureza. Essa preocupação por parte dos gregos, e por consequência dos romanos (período helenístico e período imperial), em se explicar o mundo físico para além dos mitos, se estenderia a diversos pensadores até a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C., quando se dá início a Idade Média, caracterizada pelo isolacionismo associado ao sistema Feudal, e que provocou uma grande estagnação nas buscas por respostas de base empírica sobre os fenômenos natureza. As Escrituras Sagradas difundidas pela Igreja Católica, disseminaram uma intensa onda de medo ao sobrenatural e o destino da alma após a vida terrena. Comumente associada a moradia de demônios, a montanha nesse período se torna a representação física do medo da danação eterna. Os constructos literários do medievo também reforçaram a visão propagada pela Igreja Católica, sendo a montanha constantemente entendida como um sinônimo de pecado, do mal e do distanciamento do divino. Apenas com o advento do Renascimento e do Iluminismo, que podemos perceber o resgate e a continuidade das teorias já fundamentadas pelos gregos. A ciência renasce como uma fênix, ressignificando os gregos no contexto mundo recém-saído da Idade das Trevas, e se ilumina ao conceber as primeiras ideias matematizadas da natureza, que por sua vez pode estabelecer uma universalidade da realidade, contando ainda com a aproximação do divino. E nesse contexto, é que destacamos a importância do Romantismo alemão para trazer à ciência geográfica uma poética da natureza. Influenciado por Immanuel Kant (1724- 1804) e Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), Alexander von Humboldt (1769 – 1859), enquanto pesquisador será considerado um dos pais da Geografia Moderna. Em suas expedições, Alexander von Humboldt sistematizou o conhecimento cientifico da natureza, matematicamente sem reduzir aos números o momento experienciado, no contato entre o homem e o meio. O maior êxito de Humboldt, foi sem dúvidas construir a partir de suas influências, uma profunda relação com a linguagem, enquanto um meio de traduzir os mistérios das paisagens montanhosas.


Palavras-chave


Paisagens Montanhosas; Geografia Moderna, Gênese