Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A arquitetura escolar e a comunicação com o jovem do século XXI
Paula Roberta Ramos Libos

Última alteração: 17-10-19

Resumo


A arquitetura está presente na história da humanidade, na construção e no desenvolvimento das sociedades. Ao longo dos séculos vem contando a história de como os homens e mulheres ocuparam e ocupam os espaços para morar, decorar, trabalhar, orar, estudar e se entreter, espaços que fazem parte do desenvolvimento histórico e sociocultural, descreve acontecimentos, constrói sentidos e significados. Este trabalho tem como proposta compreender se os espaços escolares tradicionais respondem às necessidades, expectativas e desejos dos jovens alunos do Ensino Básico. Por meio de pesquisas secundárias em documentos, publicações científicas e jornalísticas, e também entrevistas com alunos, professores e comunidade, buscaremos compreender como essas experiências são vivenciadas e compartilhadas. Este trabalho se propõe analisar os espaços escolares voltados para o Ensino Básico Público enquanto um lugar dotado de significados que ganha vida a partir da ocupação dos alunos, professores e toda a comunidade. Os prédios escolares do século XXI, em sua totalidade, enquanto espaços concebidos, destinados a ser um local de formação, de aprendizado, de encontro de gerações e intercâmbios culturais, são modelos antigos, engessados, fechados, compartimentados. Uma questão que se impõe é se esses espaços tradicionais, em tempos de convergência tecnológica, quebra de fronteiras e circulação de informações em tempo real inibem ou não a comunicação e a construção de conhecimentos. Em meados do século XIX, a escola no Brasil instituiu um novo sistema de valores, organização e disciplina, com reflexos na reorganização do espaço e ocupação do seu lugar nas cidades. Conforme os estudos de Otaíza Romanelli, Maria Xavier, Olinda Noronha, as instituições de ensino passam a representar desenvolvimento, modernidade e progresso. Questionamos aqui qual a relevância hoje da arquitetura escolar pública tradicional na relação de apreço dos jovens alunos pela escola. Para onde o jovem estudante está olhando, há no campo de visão dele uma ideia arquitetônica de espaço escolar? Assim como as mídias, o professor, por exemplo, a edificação escolar é também mediadora de relações sociais, políticas e culturais. Compreender as relações que os jovens estabelecem hoje com esses espaços é também identificar para onde eles estão olhando, como interroga Douglas Rushkoff: se é para o interior da escola ou se é para qualquer outro lugar que não tenha a escola que ele conhece como referência de pertencimento e identidade. Busca-se nessa pesquisa compreender a relação dos jovens com os espaços escolares, assim como conhecer os modelos inovadores de prédios escolares já implantados em outros países e até no Brasil. Compreender se a comunicação no espaço escolar e a convivência com o outro na escola proporciona ao estudante da era digital um maior compartilhamento coletivo de informações, como defendido por Pierre Levi, Henry Jenkins, entre outros. Os alunos se mantêm conectados em rede, são multi e transmidiáticos, convivem, compartilham e constroem relações. Como a arquitetura desses espaços atuam na construção desse diálogo?


Palavras-chave


Arquitetura Escolar, Comunicação, Relações de Afeto, Transmídia, Espaço Inovador