Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A relação entre liberdade e autonomia em Kant
Julia Stephanie Abrão Seidl do Nascimento

Última alteração: 08-10-19

Resumo


O interesse do trabalho versa sobre a possibilidade de pensar a ideia transcendental de liberdade e relacioná-la como fundamento da autonomia da vontade de Immanuel Kant. É necessário, primeiramente, entender como o filósofo justifica a possibilidade da liberdade e redimensiona a metafísica ao deslocar o referencial ao sujeito transcendental e não mais ao objeto, sendo estes limites epistemológicos definidos pela razão e os seus usos constitutivo e especulativo. Enquanto é possível provar e justificar, por meio dos juízos sintéticos a priori, a matemática e física, busca-se o lugar que a metafísica se encontra, pois esta não possui terreno firme, levando a paralogismos e antinomias. Isso porque as ideias metafísicas de Imortalidade da Alma, existência de Deus e possibilidade da liberdade não dispõem de meios que verifiquem sua existência, impossibilitando a comprovação ou negação de sua realidade. O uso especulativo busca simples conceitos e questões suprassensíveis, pois a razão tenta entender a totalidade do campo fenomênico e de seus conceitos. Decorrentes do pensamento de tal totalidade existentes pela busca do incondicionado, as antinomias surgem da própria razão, tendo como característica conclusões que são contrárias, chamadas de tese e antítese. Apesar de serem quatro, o foco do trabalho encontra-se na terceira antinomia da razão pura. Enquanto a tese defende a existência da liberdade incondicional, a antítese defende que a liberdade é uma ilusão da razão. Um conflito que parece sem solução, encontra no idealismo transcendental uma solução crítico-metodológica, em que é possível compatibilizar a liberdade num campo numênico, pensado através de uma ideia inteligível ao mesmo tempo que considera os objetos como fenômenos, limitados à condição humana. Desta forma, a liberdade é pedra de toque na filosofia kantiana, sendo o elo que possibilita a passagem de uma filosofia teórica para uma filosofia prática, apresentando uma estreita ligação com a autonomia, pois somente seres autônomos são capazes de dar a lei advinda da razão a si mesmos. Ser livre, entretanto, não é agir de qualquer maneira. Para o filósofo, ser livre é agir conforme a razão, sendo esta a condição para agir de forma correta, orientado pelo imperativo categórico. O objeto desta pesquisa então é estudar a possibilidade da liberdade como fundamento da autonomia por meio da pesquisa acerca da ideia transcendental de liberdade na Crítica da Razão Pura e, finalmente, como esta pode servir de fundamento para autonomia da vontade na Fundamentação da Metafísica dos Costumes.

 


Palavras-chave


Kant. Autonomia. Liberdade. Terceira antinomia da Razão Pura.