Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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DESCONSTRUINDO AS PERFORMATIVIDADES DE GÊNEROS NA ESCOLA: ATOS CRIANCEIROS
Edilma de Souza, Silas Borges Monteiro

Última alteração: 01-10-19

Resumo


Às margens do pensamento derridiano escrevemos este texto, sob título provisório, oriundo da pesquisa em andamento no processo de doutoramento do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, na linha de pesquisa Cultura, Memórias e teorias em Educação.  A pesquisa procura situar algumas linhas de escritas do pensamento infantil avesso as tentativas de sistematização na constituição das subjetividades crianceiras. Nas trilhas da filosofia da diferença, questionamos o que nos inquieta em relação a metafísica da presença que legitima sistemas binários como modos de subjetivação, no caso, o falogocentrismo. Para Derrida (2013), o falogocentrismo denota a dominação masculina, evidente no fato de o falo ser sempre aceito como o único ponto de referência, o único modo de validação da realidade cultural. A sociedade dominada pelo falogocentrismo olha sempre a mulher com base na sua relação com o homem, deixando prevalecer os aspectos que lhe faltam por oposição à plenitude do homem. Provocados(as) pelo autor, perscrutamos por processos labirínticos de inscrições na busca de gestos de desconstrução do pensamento falogocêntrico. Diante destes pressupostos indagamos: como as crianças reverberam os atos de performatividades de gêneros que atuam na constituição de suas subjetividades? Nesse sentido, junto ao povo criança, experienciamos por movimentos crianceiros que reverberam atos, discursos e sistemas de dominação. Assim, fomos a uma escola de ensino fundamental e convidamos estudantes do quinto ano para participarem da pesquisa que convergiu em realizar, entre-meio às crianças Oficinas de Escrileituras. As Oficinas de Escrileituras é considerada a aposta metodológica dessa esquadrinhadura. Para a autora Corazza (2015), as oficinas de escrileituras oferece possibilidades outras de ler e escrever num movimento errante e autoral. Escolhemos as crianças por corroborarmos com o pensamento de Nietzsche ao sinalizar em seu Zaratustra que as crianças são um novo começo; um sagrado dizer sim para o jogo da criação. Deste modo, em errância, circulamos entre-meio às crianças em busca de suas escrileituras criativas que reverberam experimentos do pensamento num movimento de desconstrução do binarismo falogocêntrico. Em nossa travessia de pesquisa labiríntica, no cotidiano escolar crianceiro, buscamos encontrar na razão a novidade da alteridade infantil que sempre se apresenta como Outra. E, como Outra, produz jogos de diferenciações e inscrições − a différance. Na trama da différance é possível afirmar efeitos enquanto potência criadora, romper com o substancialismo da presença (o ideal) e abrir possibilidade para as inscrições da diferença, ou seja, produzir a escritura na/da infância em detrimento aos dualismos da racionalidade aos quais somos submetidos. Destarte, fazemo-nos do movimento de desconstrução derridiano para produzir outras possíveis maneiras de ler e escrever em meio a vida e angariar a brisura na tradição metafísica da presença e, também,  não afirmar uma ‘verdade’, mas apresentar outras possibilidades de pensar a didática e a educação.



Palavras-chave


Crianças. Desconstrução. Performatividades de gêneros.