Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Bioestratigrafia e paleoambientes da Formação Solimões no poço 1AS-9-AM
Bruno Scudeiro Espinosa

Última alteração: 09-10-19

Resumo


No Mioceno desenvolveu-se um complexo ambiente flúvio-lacustre na região amazônica com incursões marinhas episódicas. O sistema tipicamente fluvial implantado no Mioceno Superior é semelhante a configuração amazônica atual. Com o intuito de detalhar a história do Mioceno da Amazônia, este trabalho visa estabelecer os eventos bioestratigráficos do poço 1AS-09-AM (4º53'S/70º09'W), localizado no sudoeste do estado do Amazonas com espessura total de aproximadamente 352 metros. A preparação de 20 amostras coletadas no poço seguiu a metodologia padrão com uso de ácidos clorídrico e fluorídrico, e as amostras foram peneiradas e lavadas em malhas de 250 e 20 micrômetros e os resíduos restantes destas frações foram analisados. A análise do conteúdo palinológico constitui na identificação de palinomorfos continentais (pólen e esporos) e marinhos (dinoflagelados e palinoforaminíferos), entre as profundidades 350,85 m a 19,8 m. A partir da identificação de pólen e esporos inferiu-se duas biozonas, sendo a parte inferior do poço (350,85 m a 79,92m) pertencente à Zona T-15 (sensu JARAMILLO) identificada pelo FAD (First appearance datum, primeiro aparecimento) do Crassoretitriletes vanraadshooveni. A parte superior do poço (75,51 a 19,85m) é inserida na Zona T16 do Cichoreacidites longispinosus (sensu JARAMILLO), caracterizada pelo FAD do C. longispinosus e Ladakhipollenites? caribbiensis. Os resultados permitiram situar a seção estudada no Mioceno Médio (Zona T-15) e Mioceno Superior (Zona T-16). A alta abundância de esporos de pteridófitas e pólen (Mauritiidites franciscoi) típicos de solos alagados apontam para ambientes flúvio-lacustres. Os palinomorfos marinhos identificados em dois níveis do poço (284,65 e 34,1) são palinoforaminifero e Quadrina? condita (dinoflagelado), sendo que não é possível inferir incursões marinhas para estes níveis devido à baixa abundância de palinomorfos nessas amostras. Contudo trabalhos palinológicos e micropaleontológicos realizados nos depósitos miocênicos da Amazônia oriental relatam incursões marinhas episódicas para todo o Mioceno.


Palavras-chave


Bioestratigrafia, Paleoambientes, Formação Solimões