Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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MEMÓRIAS E TRANSFORMAÇÕES: A CALIGRAFIA DA CINEMATOGRAFIA MATO-GROSSENSE NO CONTEMPORÂNEO
Caroline de Oliveira Santos Araújo

Última alteração: 17-10-19

Resumo


A fronteira esta na gênese do cinema feito em Mato Grosso. Situado na região central do continente sul-americano e habitado por diversas sociedades indígenas, geograficamente sua posição limítrofe com a área de fronteira dos domínios da América Espanhola garante ao estado uma rica miscigenação social e cultura proveniente dos atravessamentos naturais que coexistem nesses espaços fronteiriços. Nessa fronteira, filmes de desbravamento marcam ou expandem de alguma maneira, fronteiras geográficas, culturais e étnicas, e principalmente, situam o inicio do ato cinematográfico em Mato Grosso. Durante muito tempo, o cinema mato – grossense teve como concreto e apogeu a presença do cineasta sueco Arne Sucksdorff, radicado desde 1967 no Pantanal, e cuja obra fora considerada única manifestação local do cinema. Mas além disso, não se via como viável a produção audiovisual no estado. A produção fronteiriça. Décadas depois, uma lufada de incentivos públicos proporciona a retomada da produção cinematográfica mato – grossense e passa a configurar a busca de uma memória, na contramão das falsas lembranças e das memórias artificiais da cultura de massa, inserindo o local na espacialidade do global. O presente projeto busca investigar como signos e elementos da cultura local conseguiram ser incorporados em narrativas audiovisuais feitas por cineastas locais, produzindo discursos sobre o local/ regional dentro de um contexto de globalização e “mundialização da cultura”. Para isso, será feito um levantamento sobre os diferentes processos criativos dos produtos audiovisuais realizados a partir dos anos 2000. Iniciaremos o mapeamento a partir de dois cineastas, Amauri Tangará e Bruno Bini, que configurarão como marcos temporal, de escolhas de direção e a forma de articulação dos dispositivos fílmicos em suas obras totalmente distintas. Tal mapeamento proporcionará o cruzamento das práticas audiovisuais, esses cineastas, e dos outros realizadores que surgem impulsionados pelos trabalhos que Amauri e Bruno passam a desenvolver, e a partir daí poderemos delimitar uma caligrafia, uma forma de assinar, escrever por imagens que cada diretor desenvolveu ao longo de sua carreira e que de certa maneira, passam a configurar um registro do modo de fazer cinema nessa espacialidade Mato Grosso. Baseamo-nos no conceito de continuidade intensificada de David Bordwell, na discussão de sobre fronteira sob uma perspectiva decolonial embasada em Walter Mignolo, nos conceitos de mundialização da cultura de Renato Ortiz e no conceito de identidade trabalhado por Anselm l. Strauss. Também utilizamos como base a pesquisa feita por Luiz Carlos de Oliveira Borges, Memória e Mito do Cinema Mato – Grossense, que até o momento é praticamente o único material bibliográfico que dispomos de registro da prática e do consumo de cinema no estado.

 

 


Palavras-chave


Cinema mato – grossense, produção fronteiriça, processo criativo, local, global.