Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Por uma formação menor: uma epistemologia traidora na formação do professor de filosofia
Domingos Sávio Duarte Melo

Última alteração: 01-10-19

Resumo


Esta pesquisa sob o título provisório Por uma formação menor: uma epistemologia traidora na formação do professor de filosofia compõe as pesquisas da linha Cultura, Memória e Teorias em Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE/UFMT) no marco teórico do grupo de pesquisa Estudos de Filosofia e Formação (EFF), sub-linha Experimentações em teorias e práticas educacionais, que investiga os saberes básicos do campo da educação, compreendidos na confluência com a dimensão filosófica ou psicológica, pois se utiliza de abordagens teóricas e metodológicas variadas associadas às questões relativas aos processos de escolarização e às que tratam de práticas educacionais fora do contexto escolar. Nosso objeto de investigação é a formação do professor de filosofia na cidade de Cuiabá- MT. Partimos do pressuposto de que a formação dos professores é carente de saberes filosóficos e não-filosóficos desatrelados de matrizes europeias. O desafio é praticar uma epistemologia descolonial que propicie nossa autonomia, intelectual. Filosofar a partir de nossa realidade permite-nos conhecer a nossa história, valorizar nossa identidade e despertar em nós a capacidade de que podemos criar filosofias, sermos autônomo sem um aval estrangeiro. Propomos a seguinte problemática: há indícios e contribuições de uma filosofia não eurocêntrica e de saberes não-filosóficos (arte, ciência) na formação dos professores de filosofia em Cuiabá- MT? Para operacionalizar essa questão objetivamos mapear possíveis existências de filosofias não-eurocêntricas e de saberes não-filosóficos na vida dos professores e suas possíveis contribuições para formação desses profissionais.  Para tanto, nos apoiaremos em uma análise bibliográfica sobre essa temática e na coleta de dados com dezesseis professores por meio de uma plataforma digital, Google Forms (formulário do Google). Entendendo a educação e a formação como processo de criação, apoiamos na Filosofia da Diferença que se recusa a pensar a partir da filosofia clássica da Representação, que julga e avalia a realidade por meio de modelos identitários, estandardizados pela tradição. Agenciando Deleuze e Guattari com a ideia de Literatura Menor, queremos a partir desses autores, torcer esse conceito, e assim, pensar um modo menor de filosofar que se desvincule das imagens do pensamento pelas quais as linhas majoritárias de problematização do pensar são definidas. Em algumas obras como Kafka: por uma literatura menor (1975), Mil Platôs (1980) Filosofia e minoria (artigo de 1978), e em Um manifesto de menos (1979), Deleuze e Guattari, desenvolvem o conceito de Menor. Menor não possui sentido pejorativo, ou numérico (pouco), mas uma postura que ocupa dentro do modo de pensar estandardizado. Maior e menor não se diferenciam quantitativamente. A literatura menor é uma condição revolucionária que uma minoria faz em uma literatura estabelecida. Se o plano de imanência é o solo da criação filosófica, não há razão para valorizarmos planos que são alheios, estranhos à nossa realidade, à nossa vida. Por isso, sustenta uma filosofia latino-américo-africana, uma filosofia menor, uma linha de fuga dos grandes marcos filosóficos para pensar nossa realidade com problemas e conceitos a ela inerentes, e por consequência a formação de professores.


Palavras-chave


Formação de professores; Formação meno; Traição-criação; Filosofia da Diferença; Deleuze e Guattari.