Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A crise climática e a educação ambiental esculpidas pela arte moçambicana
Cristiane Carolina de Almeida Soares, Michèle Tomoko Sato

Última alteração: 01-10-19

Resumo


Os debates acerca do clima estão cada vez mais urgentes. Toda e qualquer alteração do ecossistema altera o equilíbrio natural, e resulta em gravíssimos prejuízos ambientais. Consideramos as intensas desigualdades geradas no atual modelo insustentável de desenvolvimento, atingindo em maior proporção os grupos em situação de vulnerabilidade, tendo percebido, concomitantemente à crise climática, um aumento substancial nos deslocamentos forçados. Os migrantes de origem africana passaram a representar expressivamente os fluxos migratórios. Moçambique enfrenta uma situação de urgência. Os ciclones Idai e Kenneth atingiram o país, trazendo prejuízos irreparáveis, causando mortes, ferimentos, doenças e desabrigo. As secas e inundações consecutivas acabaram por inviabilizar as condições de alimentação, saúde, habitação e sobrevivência, e há indícios de novos ciclones e escassez de alimentos por vir, nesta região. Em meio a dificuldades extremas que essa população têm sofrido, são inevitáveis os movimentos migratórios, em busca de melhores condições de sobrevivência. Nas dimensões da arte moçambicana, que relacionaremos às perdas culturais causadas pela crise climática, tomaremos por objeto de estudo as esculturas em madeira, por representarem uma importante conexão com a natureza. As técnicas de trabalho em madeira representam valores de resistência cultural, e as esculturas em Moçambique também possuem relação com as migrações em massa, forçadas pelo domínio português, onde os deslocamentos foram uma das formas de escapar do trabalho escravo, das perseguições e do pagamento de impostos, fortalecendo grupos políticos e sociais, refletindo na produção de arte em madeira. Nosso objetivo é fortalecer as políticas públicas relacionadas aos fluxos migratórios, focando especialmente nas migrações climáticas, que dialoguem com as dificuldades vivenciadas pelos migrantes de Moçambique. Pretendemos, secundariamente, considerar a arte de Moçambique e o risco de sua existência frente à atual crise climática, focando nas expressões artísticas, especificamente as esculturas. Em busca de conhecer as narrativas de luta e resistência dos migrantes de Moçambique, junto à arte contornada nas esculturas em madeira e da escassez ambiental gerada pela crise climática, orientaremos nossa metodologia junto à Cartografia do Imaginário, dialogando com os pensamentos fenomenológicos de Gaston Bachelard. Em meio a inúmeras perdas que Moçambique tem sofrido, em detrimento das catástrofes climáticas, é nossa hipótese que a arte está correndo riscos de se perder, junto à natureza que está sendo danificada. Acreditamos nos estudos do clima e da arte, onde a justiça climática possa desenhar diálogos coletivos, por uma realidade mais justa.


Palavras-chave


crise climática; migração; Moçambique.