Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A Violeta como dispositivo educativo em Cuiabá na primeira metade do século XX: formas e estratégias de escrita nas colunas de Arinapi e Mary
Dálete C S Heitor de Albuquerque, Elizabeth Figueiredo de Sá

Última alteração: 01-10-19

Resumo


A criação da revista A Violeta foi uma iniciativa do Grêmio Literário “Júlia Lopes”, em 1916.  O referido Grêmio trazia em seu estatuto, que tinha como finalidade promover o desenvolvimento intelectual de suas associadas, além de divulgar e propiciar bimensalmente, encontros, eventos morais, cívicos e artísticos e sua principal produção escrita se circunscrevia na revista e tinha por premissa, com a colaboração de “todas” o “engrandecimento moral da nossa estremecida terra” (A Violeta, n° 1, p. 1).  A revista foi e ainda é um marco para a produção feminina na imprensa mato-grossense e desde o seu lançamento  trouxe a revelação e o estabelecimento de um projeto de formação para a mulher cuiabana.  Se configurou como um material em que reverberavam pensamentos e reflexões do cotidiano a suas leitoras.  Este trabalho objetiva analisar as estratégias que eram utilizadas pela revista durante a primeira metade do século XX, os anos de 1916 e 1950, para formar e educar suas leitoras no estado de Mato Grosso.  Discutir esse periódico como um dispositivo utilizado por mulheres, suas autoras, colunistas para formar outras mulheres leitoras.  Para atingir os objetivos traçados é aqui proposto como referencial teórico-metodológico as contribuições de Robert Darnton (2010) e seu circuito de comunicação, que se configura como um modelo para análise de livros, aqui trazido para a compreensão da revista impressa A Violeta, em associação ao conceito de Protocolos de Leitura de Roger Chartier (2011), para refletir as pegadas implícitas e explícitas inscritas pelo autor para conduzir o leitor em seu repertório de leitura no impresso.  Também, o conceito de Leitor-Modelo, de Umberto Eco  (2011), pois entende-se que esse conceito pode auxiliar a investigação, como suporte aos protocolos de leitura, como compreensão da construção de uma estratégia textual na figura da leitora modelo na revista analisada e, em consequência, nas representações de formação para a mulher cuiabana, no referido impresso, no propósito de conduzir a construção de um perfil para a dona de casa e que se configuraria como um instrumento de fala de suas autoras.