Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
A abadessa por trás das epístolas de Heloísa (c. 1100-1164) para Abelardo (1079-1142).
Luciana Alves Maciel

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Desmistificar, mas sem negar o contexto apaixonado nas epístolas de Heloísa (c. 1100-1164) para Abelardo (1079-1142) é um dos objetivos de nossa pesquisa. As cartas foram trocadas quando ambos estavam no mosteiro, entre os anos de 1132 e 1140. Segundo a historiografia, Heloísa, já aos 16 anos de idade, era reconhecida por sua beleza, cultura e conhecimentos literários. Durante o período que se correspondeu com Abelardo, ela conseguiu, através de suas epístolas, lidar de modo inteligente com seus afazeres, com seus iguais, com os mestres e com a mais alta hierarquia de Paris. Heloísa o fez ao mesmo tempo que o questionou acerca das obrigações dele para com ela e as monjas. Assim, nossa hipótese é de que, ela desenvolveu essa habilidade através dos conhecimentos adquiridos durante sua juventude e o período de convivência com o seu agora irmão em Cristo, Abelardo. Por isso, perguntamos: para lidar com essa camada distinta não seria necessário conhecimento e prudência? De quais conhecimentos estamos falando e que possibilitaram construir a abadessa que flutua nessas camadas com maestria e destreza apesar do que diz a historiografia? Heloísa possuía conhecimentos de latim, grego, hebraico e acesso aos ensinamentos transmitidos pela memória e dos escritos dos mestres do período. Ela construiu sua argumentação apoiada em citações de Sêneca e do Livro dos Provérbios. Este último foi uma das fontes de sua educação, baseada nas escrituras, através da gramática, e na transmissão da experiência de gerações passadas. Uma intelectual no nosso modo de ver, Heloísa fora capaz de circular nas mais altas esferas do século. Foi uma abadessa capaz de imprimir conhecimento adquirido afim de atingir um objetivo – fazer com que Abelardo assumisse a condição de esposo a que este havia se proposto – como nos sugere a retórica. O que nos faz crer que, todo o seu escrever em estilo romântico derivava da poesia e da retórica, algo que ela teve acesso e chegou a elogiar em Abelardo. Sendo assim, para ela a tópica retórica era quase que uma extensão de si, uma expressão involuntária do seu conhecimento literário.

 


Palavras-chave


educação, conhecimento, Heloísa, memória.