Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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O Pensamento Geográfico na Amazônia: o legado de Eidorfe Moreira (1912-1989)
Nathalia Costadelle Pacheco

Última alteração: 10-10-19

Resumo


Com este trabalho busca-se apresentar o pensamento de Eidorfe Moreira (1912-1989) e suas contribuições à ciência geográfica do século XX, observando o contexto em que a produção deste autor está inserida, inclusive de onde escreve, suas referências e os desdobramentos de seu trabalho a partir da centralidade da paisagem enquanto categoria analítica e da intersecção entre geografia e literatura. Evidencia-se a paisagem como objeto e categoria de análise pelo fato de ser o mote dos estudos clássicos de geografia. Mesmo que grande volume das obras deste estudioso seja voltado a trabalhos sobre a realidade da Amazônia e do estado do Pará, são destacadas suas discussões cujas temáticas tratam da Geografia de forma universal, com o intento de desconstruir a imagem regionalista que têm intelectuais que escrevem de fora das consagradas instituições acadêmicas, nacionais e internacionais. De antemão admite-se que para compreender e contextualizar a geografia de Eidorfe Moreira é elementar, tanto quanto a leitura de sua obra “Ideias para uma concepção Geográfica de vida” (MOREIRA, 2012), ler a nota crítica escrita pelo filósofo Benedito Nunes e publicada no Suplemento Literário do jornal “O estado de São Paulo” logo de seu lançamento, em 1961. Sendo uma pretensão de Moreira neste compêndio ensaístico abordar geograficamente questões filosóficas ou, melhor, mostrar que questões filosóficas se vinculam à paisagem e podem ser lidas a partir de uma cosmovisão que a põe em perspectiva, nada mais justo que um filósofo receba-lo o comente-o e difunda-o, legitimando a relevância dessa abordagem no inesgotável exercício de compreensão das relações do ser humano com a natureza. A obra  de referência à elaboração do projeto “Ideias para uma concepção Geográfica de vida” (MOREIRA, 2012), reúne ensaios que abordam diversos aspectos da vida suscetíveis de revestirem de significação geográfica e se divide em três partes: “aspectos da problemática geográfica”, “uma visão geográfica da cultura”, e “o homem e a paisagem”. Metodologicamente, opta-se por fazer uso de ferramentas analíticas oferecidas pela Hermenêutica e pela historiografia de caráter contextualista, por tratar de um resgate teórico que precisa ser compreendido em seu contexto de construção, para então, ser referenciado nos dias atuais. Por ora, considera-se que o pensamento audaz proposto por Eidorfe Moreira proporciona potente reflexão sobre o papel filosófico desempenhado pela geografia ao submeter contribuições parciais de outras ciências à integridade de uma perspectiva.  Ademais, o resgate desse pensamento põe em evidência questionamentos acerca da produção do conhecimento científico e sua relação com a centralidade política-econômica dos lugares onde é feita.


Palavras-chave


Pensamento Geográfico; Paisagem; Eidorfe Moreira