Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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1ª EXPOSIÇÃO COLONIAL DO PORTO DE 1934: IDENTIDADE, REPRESENTAÇÕES E GÊNERO
Karla Ribeiro Gabriel Mesquita

Última alteração: 07-10-19

Resumo


O presente trabalho pretende abordar questões relativas à construção do imaginário europeu sobre o gênero feminino em África, partindo da análise de fotografias tiradas antes e durante a 1ª Exposição Colonial do Porto de 1934. Pretende-se investigar a forma como mulheres africanas foram retratadas neste momento. Além disso, também discute-se como e porquê o corpo feminino foi objeto da propaganda colonial e sua relevância para o momento estudado.

Por meio da "Revista Portugal Colonial: Revista de Propaganda e Expansão Colonial, Ano 4, nº 40, editada em junho de 1934" e do "O Império Português na Primeira Exposição Colonial Portuguesa: Álbum Catálogo Oficial, 1934", a proposta fundamental desta pesquisa é discutir a problemática das representações históricas/sociais sobre os africanos, em particular sobre a mulher africana na 1ª Exposição Colonial do Porto.

Inaugurada em junho de 1934, a exposição foi instaurada no Palácio dos Cristais, onde foram erguidos cerca de quatrocentos pavilhões, distribuídos em diversas sessões e inúmeras salas temáticas, com uma infinidade de obras e diferentes formas de arte, tais como: esculturas de cera, telas, desfiles, concursos, maquetes, stands comerciais, entre outros. Cabe ressaltar que nos jardins do Palácio foram montadas pequenas construções que remetiam aos lugares originários de alguns grupos étnicos, sendo estes pequenos grupos trazidos especialmente para a ocasião e expostos para a contemplação dos visitantes. Assim sendo, muitas fotografias que aparecem nas fontes aqui analisadas foram tiradas nesses espaços produzidos para a ocasião.

Logo, considerando o contexto histórico e sócio-político de Portugal no período, o regime Salazarista, o imperialismo e o neocolonialismo, acredita-se que o “esforço civilizador” presente no cenário em que se deu tal evento foi extremamente importante para alguns dos primeiros resultados obtidos nesta pesquisa. Tal como, é possível notar a intenção do governo português em apresentar através de “provas visuais” a importância de suas conquistas ultramarinas. Portanto, o conceito de imaginário, de gênero e de identidade permeiam este estudo. Assim, ao utilizar métodos de pesquisa de natureza indicial, por meio dos “paradigmas indiciários” proposto pelo historiador italiano Carlo Ginzburg e da análise de imagens, pelo pensamento do historiador da arte Erwin Panofsky, tem-se o intuito de poder contribuir para que novas narrativas sobre os povos colonizados sejam pensadas e discutidas.