Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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PETROGRAFIA E MICROTECTÔNICA EM FALHA MINERALIZADA, PEIXOTO DE AZEVEDO-MT, PROVÍNCIA AURÍFERA DE ALTA FLORESTA.
Júlio Caldas Rabelo, Carlos Humberto da Silva

Última alteração: 09-10-19

Resumo


Localizada na porção norte estado de Mato Grosso, a Província Aurífera de Alta Floresta (PAAF) é uma das principais regiões produtoras de ouro do país, tendo suas primeiras ocorrências de minério descobertas ao fim da década de 70, em consequência da abertura da BR-163. A PAAF está inserida na porção sul do Cráton Amazônico. A província consiste de uma área alonga de direção NW-SE, composta por suítes plutovulcânicas proterozóicas, geradas em ambiente de sucessivos arcos magmáticos. As mineralizações na região decorrem da associação entre rochas graníticas e rochas vulcânicas ácidas a intermediárias, e são controladas por falhas regionais de direção N-NW-WN. O presente trabalho consiste de um estudo petrográfico conduzido em rochas graníticas encaixantes a um depósito de ouro, oriundas do Filão do Agnaldo, situado nas proximidades de Peixoto de Azevedo, norte do estado de Mato Grosso. O depósito em si tem características filonares, no qual o minério está disposto como um veio tabular encaixado a uma falha de direção N60W, que é explorado por meio de uma galeria subterrânea. As rochas na galeria apresentam composição variando de granodiorítica a tonalítica em resposta do intenso hidrotermalismo associado ao veio. A mineralogia é composta de plagioclásio, quartzo, sericita, muscovita, clorita, K-feldspato, calcita, anfibólio e minerais opacos, em proporções variáveis dependendo da intensidade dos processos metassomáticos que atuaram.

O exame microscópico da rocha encaixante revela aspectos de deformação rúpteis, com a presença de grãos arredondados e fraturados juntamente com fluxo cataclástico, no entanto feições miloníticas, como a formação de matriz de filossilicatos orientados, tais como sericita e clorita, são observáveis em porções mais próximas do plano de cisalhamento. O plagioclásio apresenta-se como cristais anédricos, raramente subédricos, inequigranulares (4mm - 0,2mm), arredondados e muitos grãos mostram-se fraturados, com sericita preenchendo as fraturas. A aplicação do método de Michel Lévy para as maclas de plagioclásio permitiu o classificar como andesina. O quartzo ocorre como mineral primário e secundário, sendo que em sua forma primaria apresenta-se como cristais inquigranulares (0,8 mm - > 0,01mm), angulosos a arredondados, fraturados e com extinção ondulante frequentemente compondo a matriz da rocha ao lado dos filossilicatos secundários. Em sua forma secundaria ocorre como veios com cristais subédrais frequentemente associados à calcita.  O K-feldspato foi fortemente alterado durante a formação de sericita, clorita e muscovita, os poucos cristais presentes mostram-se subédrais, inequigranulares, com inclusões de minerais micáceos e opacos e bordas irregulares rodeadas por minerais de alteração. As micas ocorrem como pequenos cristais, orientados, preenchendo fraturas e formando, juntamente com o quartzo, a matriz das porções mais miloníticas da rocha. Também formam pequenos veios, especialmente de clorita, onda há a frequente associação com minerais opacos. A calcita ocorre como veios de até 2,5mm de espessura, preenchidos por cristais inequigranulares, euédricos a subédricos e associados a cristais de quartzo e minerais opacos.

 


Palavras-chave


Mineralogia, Província Aurífera de Alta Floresta, Petrografia