Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Reconstrução ambiental e paleoclimática no sudeste do Megaleque Cuiabá, Bacia do Pantanal, região de Porto Jofre, Mato Grosso
Carla Coblinski Tavares

Última alteração: 09-10-19

Resumo


Além de ser conhecida pela sua biodiversidade e extensas planícies de inundações sazonais, a paisagem pantaneira vem sendo associada a oscilações climáticas tropicais que ocorreram desde o Pleistoceno Inferior. Para melhor compreensão dessas oscilações, dados sedimentológicos, geoquímicos, geocronológicos e de paleoecologia vêm sendo utilizados como ferramentas nos sedimentos Quaternários da Bacia do Pantanal. A área de estudo encontra-se no leste da Bacia do Pantanal, na borda sudeste do Megaleque Cuiabá. Tendo recentemente dados sedimentológicos e geocronológicos que apontaram um aumento na demanda hídrica no Megaleque Cuiabá a ~19 mil anos atrás, que colaborou nos processos de avulsão do Rio Cuiabá. Com isso, o objetivo desse trabalho é de reconstruir a paisagem, o clima e sua interferência no processo de sedimentação na região, no intervalo antevisto do Pleistoceno inferior até o presente. A partir de um testemunho sedimentar de 360 cm, foi possível recuperação de material para análise granulométrica, aspectos morfoscópicos (esfericidade e arredondamento) e texturais dos grãos sedimentares. Foram analisadas 29 amostras com intervalos de 10 cm aproximadamente. Os grãos foram descritos com uma lupa binocular. Nas amostras 505 a 370 cm prevalece a fração areia fina a média. Os grãos apresentam-se com esfericidade de alta a média nos intervalos 505 a 480 cm até a presença de areia fina, quando a esfericidade é baixa. O arredondamento nesse intervalo está entre a classe subanguloso a subarredondado. Os grãos apresentam brilho, ocasionalmente mais amarelados sendo que a cor pode ser herdada do mineral, os grãos são dominados por quartzo e há presença de fragmento vegetal no nível 447 cm. Em 353 a 315 cm a granulometria é de areia fina a silte, de coloração cinza claro e marrom, devido a uma película de argila oxidada que reveste alguns grãos de fração areia. Os grãos são de baixa esfericidade e variam de subangular a angular. As amostras de 305 a 295 cm os sedimentos são mais argilosos, com presença de areia fina. A coloração é marrom com nódulos de argila cinza. Há uma película de argila que reveste os grãos. Em 280 a 237 cm as amostras são de granulometria argila, areia fina a areia muito fina, na cor cinza, por vezes presença de nódulos de argila cinza escuro. No nível 280 cm há presença de restos vegetais Entre as amostras 212 e 160 cm a granulometria é dominada por argila e areia muito fina, com variação de coloração de cinza claro (205 - 180 cm) e cinza escuro (212 e 170 – 160 cm). Há oxidação local (nódulos) e presença de restos vegetais (190 cm). Em 150 cm a granulometria é argila e areia fina, de coloração marrom e presença de raiz. Os níveis amostrados para a confecção das lâminas micropalentológicas são os mesmos para a descrição dos grãos. Com as análises dos grãos foi possível elaborar uma coluna sedimentar do testemunho que, juntamente com as próximas etapas de dados de microfósseis e as datações, será viável a reconstrução paleoambiental da região.


Palavras-chave


Bacia do Pantanal, Reconstrução Paleoambiental, Quaternário