Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Comunicação e conectividades: extensão tecnológica do comunitarismo swinger e relacionamentos em rede
Alfredo José Lopes Costa, Yuji Gushiken

Última alteração: 16-10-19

Resumo


Com o desenvolvimento da tecnologia da comunicação e disseminação dos microcomputadores, além da integração via internet, ocorrem mudanças na cultura contemporânea. Busca-se compreender significações dadas ao swing e identificar como a comunicação digital influencia essas transformações. O trabalho discute aplicativos e usos que praticantes de swing fazem das tecnologias digitais para ingressar e se relacionar com a comunidade, caracterizando prática cultural contemporânea mediada por computador .O swing expandiu-se a partir de valores emergentes da contracultura na segunda metade do século XX. Como forma disruptiva entre dispositivos disciplinares, essa modalidade de sexo, que envolve a troca de casais, evidencia vinculações que constituem relações sociais contemporâneas. Para Foucault (1988), a colocação do sexo em discurso vem fugindo da lógica da reprodução. Giddens (1993) registra surgimento de modelo de relacionamento sem exclusividade sexual ou relação monogâmica. Comunicações em rede potencializam relações sociais orientadas por meios comunicativos. McLuhan (1979) expõe que não há mensagem sem meio, pois a própria configuração virtual disponibiliza diversidade de recursos comunicativos que podem ser reinventados conforme necessidade e interesse dos grupos comunicativos. Por meio das conectividades, relacionamentos se manifestam de modo diverso e livre. Di Felice (2014) afirma que, por meio dos comunitarismos ressignificados pelo virtual, a realização dos sujeitos ocorre com mais eficácia, ao passo que o sujeito se constrói em seu meio, se constituindo como ator em rede que se movimenta de acordo com interações que ocorrem a partir da diversidade de sentidos que trocas em rede permitem. A constituição de comunidades swingers foi otimizada por novas tecnologias de comunicação, em especial nos sites swingers, inexistentes para os casais no final dos anos 1960, durante a Revolução Sexual. Adeptos da modalidade sexual recorriam então à seção dos classificados dos jornais, ou aguardavam meses para lerem seu anúncio publicado em revistas a fim de estabelecerem pequenos grupos. Foi realizado levantamento bibliográfico para entender como se encontram recentes estudos relacionados ao tema, buscando compreender como se dá a formação das trocas de casais, das comunidades swingers, possíveis mudanças de comportamento da sociedade e a utilização das redes sociais por praticantes dessa modalidade sexual. Elegeu-se, para isso, o banco de dados do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), que armazena teses e dissertações brasileiras. Ao levantarmos as teses e dissertações que se relacionavam ao objeto de pesquisa, utilizou-se o modo “Busca Avançada”, no qual foram executadas três combinações: “Sexualidade, socialidade e swing, “Sites de casas de swing” e “Aplicativos vinculados ao swing, como o CRS, Sexlog, Tinder e Facebook”. Após a leitura dos resumos desses trabalhos (e de algumas introduções e considerações finais), selecionamos 13 trabalhos, amos que dialogavam com a pesquisa. Desses trabalhos, onze são dissertações e duas teses. A pesquisa visa produzir reflexões sobre valores, relações de gênero, amor e casamento, presentes na sociedade contemporânea. Serão discutidos os aplicativos disponíveis e os usos que os praticantes fazem das tecnologias digitais para ingressarem e se relacionar com a comunidade swinger. Serão também analisados os discursos que os praticantes e mediadores dos cibermeios têm a respeito da prática. Atualmente, é lider do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Cidade (Citicom-UFMT).


Palavras-chave


Tecnologia da comunicação. Comunitarismo. Conectividades.