Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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O funk carioca e o dom de visibilizar culturas e identidades: quando a representatividade transforma o social (?)
Benjamin Neves

Última alteração: 10-10-19

Resumo


A definição do conceito de cultura sofreu diversas modificações nos séculos XVIII, XIX e XX, e neste último, é possível notar que há uma ampliação do conceito de cultura. Este pode envolver diversos processos ou sistemas, como o de produção e criação de linguagem, da religião, por exemplo, e o que mais me interessa investigar neste trabalho, o da sexualidade. É interessante percebermos o potencial que o funk, em especial o funk produzido no estado do Rio de Janeiro, teve e ainda tem em provocar mudanças sociais e culturais. Este funk é capaz de fazer o som de pretx, de faveladx, de bicha louca e estranha e de travestisgêneres, provocar movimentos.  Ainda que uma grande parte dos funks produzidos nas últimas décadas reproduzam culturas de classe, e gênero cisbrancoheterocentradas, por exemplo, o funk segue sendo vanguardista, especialmente na última década. As produções de Tati Quebra Barraco, mulher negra, obesa e favelada, de Linn da Quebrada, pessoa trans, negra e periférica e de Kaique Theodoro, homem trans, jovem e morador da zona oeste do Rio de Janeiro, são exemplos de artistas, repertórios e imagens que nos propõem uma outra geografia da proximidade humana, uma estética da experiência e não somente da informação. Eu poderia explorar e analisar algumas das canções dxs artistas acima mencionados. Todavia, devido ao curto espaço de tempo e limitações da proposta inicial do trabalho, foram feitas análises de três videoclipes de funk, de artistas cis e trans, dois deles brancos e um negro, sendo os dois artistas cisgêneros conhecidos do grande público e de fama também internacional. Questões como que tipo de enquadramento foi utilizado, a locação do videoclipe, que pessoas foram contratadas para trabalharem no videoclipe, qual a verba disponibilizada para produção e divulgação dos trabalhos e por fim, como as mulheres e as pessoas dissidentes foram (in) visibilizadas ou não por estes artistas, foram algumas das questões disparadoras para minha análise. Na maior parte dos estudos acadêmicos sobre masculinidade dos homens, há uma lacuna acerca das discussões sobre outras masculinidades, incluindo nesse rol, as transmasculinidades.  Na antologia editada por Paul Smith, Meninos: Masculinidades na Cultura Contemporânea, para uma série sobre Estudos Culturais, Smith sugere que a masculinidade deve ser sempre pensada no plural, como masculinidades e definidas e recortadas por diferenças e contradições de todos os tipos. Poder ver esta outra produção de masculinidade no universo do funk pode nos ajudar a repensar diversas estruturas e talvez, contribuir para a diminuição do machismo e da heteronormacompulsória dentro e fora do universo do funk.

 

Palavras-chave: culturas; transmasculinidades, funk


Palavras-chave


culturas; transmasculinidades, funk