Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
O que nos revelam as cartas de Antonia Rosa, Ignez Pereira, Antonia Rodrigues e Maria Ruth sobre o universo feminino na cidade de Cuiabá dos anos de 1920 a 1940?
Mayara Laet Moreira

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Esta investigação pretende historicizar a experiência de quatro mulheres – Antonia Rosa, Ignez Pereira, Antonia Rodrigues e Maria Ruth –, cujos conflitos pessoais acabaram sendo resolvidos pelo poder judiciário nos anos de 1920 a 1940. Para tanto, deu-se início a toda uma investigação criminal visando averiguar se teriam elas sofrido ou não crime de defloramento (previsto no Art. 267 do Código Penal de 1890; crime já extinto atualmente). Nesses quatro casos, o que nos interessa são precisamente as cartas que foram aprendidas e usadas como prova (ora de defesa ora de acusação) durante o processo judicial, pois nos permite sondar o universo dessas e outras mulheres cuiabanas. Em outras palavras, trata-se de analisar as escritas de si, as artes de fazer, as práticas de resistências, as experiências libertárias e as estratégias de reinventar-se de mulheres. Isto é, o grande desafio reside na pretensão de dar visibilidade às formas de subjetividade dessas figuras e as suas artes de existência, conectando-as em uma trama discursiva. Assim, prontamente duas questões se lançam: primeiramente, é possível evidenciar as relações de poder constitutivas das distinções de gênero a partir das ações judiciais? Diante desse quadro, teriam elas reinventado e ressignificado suas relações sociais? Nessa perspectiva, a proposta deste trabalho parte de uma análise dos discursos não só de juristas, de médicos, de promotores, de delegados, de testemunhas, presentes nos processos por crime de defloramento, mas essencialmente das cartas anexadas, que constituem uma importante fonte documental na investigação histórica. A metodologia é inspirada no gênero como uma categoria de análise, justamente por focalizar uma parte da humanidade que estava na invisibilidade – principalmente, as mulheres –, e seu uso assinala, que tanto elas quanto os homens são produto do meio social em que vivem. Por isso, é um importante instrumento para questionar o sistema social e jurídico enquanto mantenedor e justificador das relações de dominação e subordinação pautadas nas diferenças sexuais. Por fim, embora o quarteto não tenha se encontrado pessoalmente, elas foram protagonistas de momentos decisivos dentro do sistema judiciário, que nos permitem vislumbrar suas realidades, os imaginários e os papeis que cada uma exercia dentro do seu contexto social.


Palavras-chave


Escrita de si; Defloramento; Relações de Gênero.