Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
Processos subjetivos de crianças portadoras de doenças hematológicas crônicas em tratamento no Hemocentro Coordenador do Estado de Mato Grosso.
Edirlene Giane Antunes De Sá, Paola Biasoli Alves

Última alteração: 11-10-19

Resumo


Os estudos sobre a infância e os processos que envolvem este momento do desenvolvimento humano têm apresentado importantes contribuições nas diversas áreas do conhecimento, em especial nas Ciências Humanas e da Saúde. Em específico, estudos que abordam crianças com quadros de cronicidade, apresentando sintomas orgânicos de adoecimento, apontam algumas evidências que levam à possibilidade de um comprometimento psicológico das crianças e também de seus cuidadores e pessoas próximas (problemas nas relações com pares, no rendimento escolar e até mesmo suicídio no caso das crianças; diminuição da rede de apoio, cansaço extremo, divórcios, estresse cotidiano dos cuidadores e pessoas próximas). A experimentação de uma rotina diferenciada, na qual internações e procedimentos médicos são constantes, levam a se pensar que tais situações contribuem na construção e simbolização de diferenças no desenvolvimento psicossocial destas crianças. Desta maneira, no estudo aqui apresentado, propõe-se descrever e analisar como crianças de uma faixa etária específica, 6 a 8 anos de idade, de ambos os sexos, definem o processo da infância de maneira geral e a sua própria experiência como crianças, trazendo seus significados em relação aos processos tanto familiares quanto escolares, sem deixar de lado os aspectos das práticas educativas e estilos parentais dos responsáveis dessas crianças. Para tanto utiliza-se como base teórica e metodológica o Modelo Bioecológico do Desenvolvimento Humano, proposto por Urie Bronfenbrenner (1917-2005) e com contribuições relevantes do mundo todo, sendo ele um importante estudioso da área da Psicologia do Desenvolvimento que sintetizou e implementou em suas pesquisas e intervenções quatro dimensões humanas inter-relacionadas, conhecidas como PPCT: o processo, que corresponde à principal forma de desenvolvimento humano e se relaciona com as interações que ocorrem no ambiente frequentado regularmente e por longo período de tempo; a pessoa produtora e produto do seu desenvolvimento que possui interação com as demais dimensões; o contexto que compõe o ambiente ecológico e “local” onde o desenvolvimento ocorre e por fim o tempo, que focaliza a pessoa e os acontecimentos de vida pessoal e de história da humanidade ocorridos, observando tanto o que altera quanto o que permanece em seu ciclo vital. A proposta metodológica a ser desenvolvida durante a pesquisa é a Inserção Ecológica, contribuição brasileira à obra de Urie Bronfenbrenner, que destaca estudos em ambiente natural (no caso o local onde as crianças e seus familiares recebem tratamento), a utilização de um período de ambientação do pesquisador e sua participação na rotina do local com registro em diário de campo, a aplicação de instrumentos organizados de forma a abordar a temática da pesquisa em diversidade (na presente pesquisa serão utilizados um roteiro de entrevista semi-estruturado para os cuidadores e a aplicação do Inventário de Estilos Parentais, jogo de sentenças incompletas e sessões de psicoterapia com as crianças) e a busca por aprimorar e desenvolver recursos protetivos ao desenvolvimento dos envolvidos. O estudo aqui proposto apresenta-se como ecologicamente válido e busca contribuir para a visibilidade e implementação de aspectos de risco e de proteção no desenvolvimento das crianças com doenças hematológicas crônicas e de seus familiares. 

 

Palavras-chave:

Criança; Doença hematológica crônica, Modelo Bioecológico do Desenvolvimento Humano.