Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Caracterização do potencial antioxidante de casca de manga (Mangifera indica L. var. Tommy Atkins): perspectivas de sua utilização como aditivo natural na extensão de vida útil do pescado.
Clarissa Rocha Moraes, Anaqueli Lucia Pedroso, Geodiane Zatta Cassol, Juan Miranda Lopes, Maressa Caldeira Morzelle, Luciana Kimie Savay-da-Silva

Última alteração: 05-10-19

Resumo


O pescado em geral é alimento rico em nutrientes, umidade e ácidos graxos poli-insaturados, o que o torna extremamente perecível e com uma reduzida vida de prateleira. Sendo assim, o uso de aditivos poderia ser uma alternativa para manter as qualidades sensoriais e de frescor do pescado durante sua distribuição e comercialização. Atualmente, o consumidor tem optado por alimentos que não contenham substâncias sintéticas em sua elaboração, uma vez que o uso dessas substâncias tem sido associado a possíveis malefícios a saúde. Por isso, várias pesquisas tem sido realizadas a fim de se isolar substâncias naturais que exerçam a mesma função, como exemplo de fontes desses compostos, temos os resíduos oriundos do processamento de frutas, que já demonstram ter elevados teores antioxidantes. O objetivo deste trabalho foi realizar a quantificação de fenólicos totais existentes em extrato elaborado com casca de manga, como perspectiva de sua utilização como antioxidante para aumento da vida útil de filés de pescado. Para isso, foram adquiridos 6 Kg de manga da variedade Mangifera indica var. Tommy Atkins entre os estádios de maturação 1 (verde escuro) e 2 (verde claro) de acordo com a coloração da casca (EMBRAPA, 2008), na Central de Abastecimento de Mato Grosso (CEASA/MT), no mês de fevereiro de 2019. As mangas foram armazenadas em temperatura ambiente durante 15 dias, até que atingissem ponto de maturação entre 3 (cor da casca < 30% amarelo) e 4 (30-70% amarelo). As frutas foram higienizadas em água corrente com auxílio de esponja para retirada de sujidades aderidas a casca, pesadas e descascadas manualmente, posteriormente calculou-se o rendimento da casca, em relação ao fruto total. As cascas obtidas foram armazenadas em freezer em temperatura média de -24°C até o momento da elaboração do extrato. Para elaboração do extrato, as cascas foram descongeladas em temperatura ambiente, picadas em partículas de aproximadamente 3 a 4 mm. O solvente utilizado para extração de fenólicos da casca foi etanol 50% na proporção 1:10 (p:v). O procedimento se deu com auxílio de equipamento de banho-maria a 60°C por 60 minutos. O extrato resultante foi filtrado em papel filtro comum e, submetido a evaporação do solvente em rotaevaporador.  A análise de fenólicos totais foi realizada no extrato em duplicatas, pelo método de Folin-Ciocalteu adaptado de Singleton, Orthofer e Lamuela-Raventos (1999). O rendimento obtido de casca foi de 13,29%.   Observou-se que o extrato obtido apresentou um teor médio de 36,90 ± 2,5 mg de equivalente em ácido gálico.g-1 (mg EAG.g) valor esse, superior a polpa da manga (5,57 mg EAG.g-1) e outras frutas como abacaxi (3,62 mg EAG.g-1), pitanga (11,5 mg EAG.g-1) e  inferior a acerola (156 mg EAG.g-1) segundo pesquisa realizada por Prado (2009). Conclui-se que o extrato elaborado pode apresentar potencial para atuar como aditivo natural em  produtos alimentícios, todavia, testes complementares de análises de atividade antioxidante devem ser realizados, a fim de atestar efetividade tecnológica do mesmo em alimentos perecíveis como o pescado.


Palavras-chave


Aditivo alimentar; extratos naturais; shelflife