Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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ALTERAÇÃO DA PAISAGEM NA AREA DE INFLUÊNCIA INDIRETA DA BR-163 NO BIOMA AMAZÔNICO
Cristiano Alves da Costa, Domingos de Jesus Rodrigues

Última alteração: 09-10-19

Resumo


A alteração da paisagem, através da conversão de florestas em áreas destinadas ao desenvolvimento humano e agropecuário marcou a ocupação da rodovia Cuiabá-Santarém, resultando em gradientes de fragmentos florestais residuais ao longo do trajeto. A conversão da floresta resulta na emissão de gases do efeito estufa, além de afetarem a biodiversidade. Considerando o histórico dessa região, este trabalho tem como objetivo analisar as mudanças na cobertura da paisagem amazônica ao longo da BR-163, no trecho Cuiabá-Santarém no período entre 1985 e 2017. O trecho analisado corresponde a aproximadamente 1.765 km, no qual foi delimitado uma faixa de 100 quilômetros em seu entorno para avaliar a área de influência indireta da rodovia (AII). Como a AII possui uma forma irregular, definiu-se um retângulo para abranger toda a área de estudo, o que gerou uma grade regular para analisar as alterações na cobertura do solo. Esse retângulo representa a área de interesse (AI), que corresponde a uma área de 669.902.163 km². Após esse processo, a área de interesse foi sobreposta com a extensão do bioma amazônico visando a determinação dos seus limites dentro da área de interesse. Para representar a cobertura do solo e suas alterações, foram utilizados dados categóricos da coleção do Projeto Anual de Cobertura e Mapeamento do Uso da Terra - MapBiomas, versão 3.0, gerada a partir do Documento do Algoritmo de Linha-Base Teórica (ATBD). Estes estão distribuídos em 27 classes, representando seis classes principais (Agropecuária, Área não-vegetada, Corpos-de-água, Floresta, Formação natural não-florestal e Não-observado) e suas subclasses para período de 1985 a 2017. Visando simplificar a análise, as classes foram reclassificadas, sendo agrupadas em seis novas classes (Formação campestre, Floresta, Savana, Silviagropecuária, Infraestrutura urbana e outras coberturas). Os dados da cobertura do solo para a area de estudo foram então agrupados em intervalos de dez anos. Verificou-se para o ano de 1985, a floresta representava 47.862.186 ha (91,97% da área total), as atividades silviagropecuárias correspondiam a 1.813.110 ha (3,48% da área total) e as demais classes representavam 2.365.766 ha (4,55% da área total). Por outro lado, para o ano de 2017, a floresta representava 40.580.841 ha (77,98% da área total), as atividades silviagropecuárias correspondiam a 7.101.848 ha (17,13% da área total) e as demais classes representavam 2.545.225 ha (4,89% da área total). Considerando os dados apresentados acima, a paisagem sofreu modificações representativa ao longo dos anos estudados, na qual a floresta foi convertida em função das atividades silviagrícolas, com um aumento de 13,65% na área total. Além disso, percebe-se que, a presença de áreas protegidas (unidades de conservação, quilombos e terras indígenas) são responsáveis por grande parte do percentual de florestas existentes no trecho analisado.


Palavras-chave


Cobertura do solo; Dinâmica da paisagem; Rodovias