Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Mulheres Boe e o seu papel nos rituais
Maria Elizandra Lopes Torekureuda

Última alteração: 11-10-19

Resumo


O presente trabalho tem por finalidade fazer uma discussão sobre como o Povo Boe (Bororo) trabalha questões relacionadas ao corpo e às emoções a partir da expressão de sentimentos que se dão em rituais culturais, principalmente no ritual funerário (no período de luto e no pós luto), assim como no ritual do Mano Paru. Este último é uma das cerimônias do povo Boe, que acontece uma vez por ano, quase sempre no mês de abril ou maio, em que se percebe rivalidade e reafirmação de cada clã. Os dois clãs competem entre si, em uma corrida com a roda do mano. Partindo do olhar das mulheres Boe, busco mostrar a sua importância nessa sociedade que possue um sistema de filiação e de organização social matrilinear. Neste contexto ritual, as mulheres sempre estiveram articuladas, junto aos homens, e são muitas vezes extremamente competitivas no que diz respeito a seu grupo clânico, presando por transmitir seus conhecimentos às mulheres mais jovens.

Dentro dessa discussão, busquei identificar no campo da antropologia possibilidades de reflexão sobre corporalidade e emoções e também sobre desafios que precisam ser superados para um diálogo e uma atuação eficaz e coerente no campo da saúde dos povos indígenas. Partindo de uma formação em psicologia e a considerando como um campo que reflete uma construção sócio histórica de um saber normatizador, que pouco dialoga com questões das alteridades étnicas, parece-me vital um estreito diálogo com outras áreas do saber que priorizem essas questões, principalmente no âmbito da cultura e cosmologia desses povos. Dessa maneira, procurei uma interlocução com a antropologia, por ser uma área de conhecimento que se destaca pela importância dada às questões culturais presentes em todo grupo étnico e social, que se dedicou de maneira especial ao estudo dos povos indígenas.

Assim estabeleço como tema mulher e seu papel nos rituais com foco no povo Boe da Terra Indígena Meruri, na tentativa de buscar compreender, a partir da perspectiva feminina, o sentido de diferentes emoções para tal povo, em sua própria complexidade. A análise dos sentimentos não pode se limitar exclusivamente à dimensão individual ou cultural, e sim tratar a construção de ambas em interação, na medida em que se mostram complementares e indissociáveis.


Palavras-chave


Emoções, Corpo, Povo Boe Bororo