Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Detecção de vírus causadores de encefalite e meningite em pacientes de Mato Grosso, 2019-2020
Janeth Aracely Ramirez Pavon, Nilvanei Aparecido da Silva Neves, José Alexandre B. Figueiredo, María de Fátima de C. Ferreira, Juliene Brito, Thalita Mara de Oliveira, Vanessa Vilas Boas Cassol, Francisco Kennedy S.F. de Azevedo, Renata Dezengrini Slhessarenko

Última alteração: 09-10-19

Resumo


Encefalites, meningites e meningoencefalites virais representam evoluções mais graves e esporádicas em consequência de infecções frequentes no Brasil, tais como as causadas pelos herpesvírus, enterovírus e arbovírus. No ano de 2017, o Brasil notificou que a região sudeste apresentou maior número de casos de meningite viral (59,80%), e a região centro-oeste o menor número (2,30%), 25,3% destes ocorreram no estado de Mato Grosso. Neste estudo, pretende-se detectar quais vírus estão presentes em amostras de líquor e o soro pareado de pacientes com suspeita clínica atual de meningite, encefalite ou meningoencefalite asséptica ou viral notificados dos hospitais públicos e privados de Cuiabá durante o ano de 2019, de acordo com os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O exame quimiocitológico do líquor e dados clínicos, epidemiológicos e demográficos serão coletados a partir da notificação pelo SINAN adicionando-se três perguntas: Histórico de viagem recente e/ou de acesso a áreas rurais ou mata nos últimos 2 meses e de infecção pelo Dengue, Zika ou Chikungunya prévio. As amostras serão submetidas a extração de DNA/RNA viral, síntese de ds-cDNA, amplificação randômica por PCR, purificação com Polietilenoglicol (PEG) 20% e quantificação com kit fluorimétrico; esse produto será usado para preparo da biblioteca e sequenciamento pela metodologia Illumina HiSeq 2500 no Instituto Evandro Chagas. Após análise das sequências quanto à qualidade (FASTQC), remoção das sequencias de primers e adaptadores (TRIMMOMATIC), os contigs serão formados e analisados contra um banco RefSeq Viral (NCBI). Será definido o método apropriado de filogenia e as árvores serão geradas no programa Geneious. As sequencias nucleotídicas obtidas (>200pb) serão depositadas no banco de dados do GenBank. Até o momento, 6 pacientes (6 amostras do líquor e uma amostra de soro pareado) foram amostrados e enviados para sequenciamento. Todos são residentes na região metropolitana de Cuiabá, sendo a maioria oriunda do Pronto Socorro de Várzea Grande (VG) (3/6; 50%), com diagnósticos de encefalite 83% (5/6) de suspeita viral e 17% (1/6) de meningite viral; predomínio do sexo feminino 83,3% (5/6), com idade média de 24 anos (0 a 40 anos), 50,0% (3/6) com 31-40 anos. Os exames citológicos das amostras do líquor demostraram 66,7% (4/6) com presença de >10% das células linfomononucleares. A análise bioquímica de 4/6 pacientes apresentaram níveis de glicose >50mg/dl em 75,0% (3/4) e proteínas >10mg/dl em 100% (4/4).  Os sintomas apresentados foram: cefaleia intensa 66,6% (4/6) e febre 50,0% (3/6); 2/6 amostras do líquor foram coletadas 1 mês após o início dos sintomas e foram tratados ambulatoriamente, os outros 4/6 casos foram hospitalizados e o líquor foi colhido com uma média de 7,6 dias (7-13 dias) de início dos sintomas, 25,0% (1/4) evoluiu a óbito 10 dias após o internamento no Pronto Socorro VG. Somente um paciente apresentou histórico prévio de viagem a zona rural recente e com antecedente de febre por Chinkungunya no ano 2018.

Palavras-chave


Neuroinfecção, neurotropismo, epidemiología molecular