Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Mapeamento Social dos saberes populares associados ao fogo nas comunidades rurais de São Jerônimo (Cuiabá,MT) e Água Fria (Chapada dos Guimarães,MT): impressões sobre a crise climática e o bem viver
Flavia Lopes Bertier, Regina Aparecida da Silva, Giseli Dalla Nora

Última alteração: 07-10-19

Resumo


O uso do fogo pelo ser humano remonta a milênios. No Cerrado mato-grossense, indígenas já manejavam o fogo, assim como também o fazem moradores de comunidades rurais tradicionais. A Política do “Fogo Zero” implantada pelo Governo Federal dificulta o acesso das populações tradicionais à autorização de queima controlada. Com a ausência do fogo no Cerrado, a vegetação se adensa e facilita a propagação de incêndios florestais. A crise climática atual, marcada pela elevação da temperatura, secas prolongadas e chuvas irregulares, também contribui para o aumento dos incêndios florestais. A fim de diminuir a incidência destes incêndios na região, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães adotou o Manejo Integrado do Fogo (MIF) em sua gestão. Para o sucesso desta técnica, é preciso entender componentes socioeconômicos - quem usa o fogo, como o faz, quando e por quê. Com objetivo de elucidar estes aspectos e empreender diálogos educativos com as comunidades lindeiras à unidade de conservação é que realizamos esta pesquisa, que está inserida no Programa de Pós Graduação do Instituto de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso, na linha de pesquisa Movimentos Sociais, Política e Educação Popular. O Mapa Social é a metodologia escolhida para percorrer as trilhas da educação ambiental de base comunitária. O diálogo entremeado pelo tema gerador “fogo” é a base para uma educação ambiental prática e reflexiva, concretizada no fazer e agir de vivências e “com-vivências”. Através de autonarrativas, os participantes da pesquisa aprendem e ensinam seus valores, crenças, revelam suas memórias e evidenciam suas necessidades e problemas ambientais. Apesar de os participantes identificarem alterações do clima em seu cotidiano, desconhecem o termo “mudanças climáticas”. Apenas os moradores da Água Fria indicam agentes responsáveis pelas alterações climáticas na comunidade. A filosofia do Bem Viver está presente nas narrativas dos anciãos e anciãs, mas pouco identificada pela maioria dos moradores mais novos Tais informações indicam a necessidade de aprofundarmos as ações educativas e ampliarmos os diálogos para que possamos construir de instrumentos capazes de fortalecer as comunidades e identificar possíveis políticas públicas que reflitam as realidades vividas pelos seus moradores.

Palavras-chave


Educação ambiental de base comunitária; Mapa Social; Manejo Integrado do Fogo