Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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O Kitsch em Manuel Puig: articulações estéticas e políticas
Juan Ferreira Fiorini

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Esta pesquisa tem por objetivo investigar as implicações do kitsch em um conjunto de cinco romances do escritor argentino Manuel Puig (1932-1990): A traição de Rita Hayworth (1968), Boquitas pintadas (1969), The Buenos Aires Affair (1973), O beijo da mulher aranha (1976) e Púbis angelical (1979). Nesta investigação, a sensibilidade kitsch será analisada a partir de dois desdobramentos. Em primeiro lugar, enquanto fenômeno estético de comunicação de massas, no qual uma miríade de objetos ressignificados artisticamente se caracterizam pela superficialidade, pela artificialidade e pela pretensão artística daquilo que até então não conformaria um ideal estético de arte, cuja caracterização tem seu alicerce na ascensão da burguesia e na formação da sociedade de consumo. No segundo momento, o kitsch é considerado também como uma articulação política, que se fundamenta nos próprios gestos de reconhecimento de suas práticas enquanto ferramenta artística de horizontalização dos próprios, enquanto um conjunto de práticas de borramento das fronteiras de uma pressuposta escala de valores entre objetos e suportes, enquanto legitimação dos ícones da indústria cultural dentro de um panorama cultural e enquanto ação de afirmação de identidades surgidas e alimentadas pelos signos da reprodução barata, do contraponto ao “belo”, da estetização artificializante e dos estatutos da excentralidade, da subalternidade e do periférico.


Palavras-chave


Literaura argentina; Estética; Política; Kitsch; Manuel Puig