Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Listas vermelhas e a conservação da biodiversidade no Brasil
Manoela Karam-Gemael, Thiago Izzo

Última alteração: 08-10-19

Resumo


A crise da biodiversidade em que vivemos, marcada por altas taxas de extinção, requer esforços de conservação bem planejados. Portanto, considerando que os recursos financeiros para a conservação da biodiversidade são limitados e prioridades devem ser definidas, é necessário entender como os recursos financeiros estão sendo distribuídos entre as políticas e programas de conservação. As listas vermelhas de espécies ameaçadas são reconhecidas como o principal instrumento objetivo para avaliar o estado de conservação das espécies e, portanto, orientar as prioridades de conservação. Assim, o objetivo do estudo é entender como os recursos financeiros são distribuídos entre as políticas e programas de conservação no Brasil, avaliando também as consequências da lacuna entre as listas vermelhas nacionais e globais de espécies ameaçadas (que têm implicações financeiras). No primeiro capítulo, utilizamos como modelo as espécies de Myriapoda listadas na lista vermelha de fauna brasileira para discutir as implicações práticas das listas vermelhas para a conservação. Apesar de 33% dos miriápodes ameaçados terem sido registrados em áreas protegidas (APs), a redução na restrição de uso (aumento da atividade humana), a revogação (elimina a proteção completamente) e a redução na extensão das APs, além do ecoturismo intenso e desregulado, representam grandes ameaças. A rede de APs no Brasil tende a falhar na conservação de espécies de Myriapoda. Neste capítulo, mostramos que falta comunicação entre as agências nacionais e globais em relação às listas vermelhas, o que resulta em uma perda significativa para a ciência e para a conservação. Apesar de investir em listas vermelhas nacionais e estaduais, os países que elaboram suas listas devem dar o passo final de enviar seus dados para o banco de dados global da IUCN, uma vez que fundos internacionais significativos estão disponíveis para a conservação de espécies listadas na IUCN. Sendo um dos países mais diversos do mundo, e enfrentando os maiores cortes já feitos em financiamento à ciência no Brasil, perder essas importantes oportunidades de financiamento é uma enorme perda para a conservação da biodiversidade brasileira e para a ciência. Mais do que um caso específico para Myriapoda e para o Brasil, os pontos discutidos no primeiro capítulo podem ser relacionados a artrópodes em geral e aos países tropicais, já que os países mais biodiversos são economias emergentes que enfrentam desafios semelhantes na gestão de redes de APs, riscos de extinção de espécies e financiamento científico. No segundo capítulo, pretendemos expandir o foco e testar se a lacuna entre as listas vermelhas nacionais e globais, que implica na potencial perda de oportunidades de financiamento internacional, também ocorre entre diferentes grupos taxonômicos e diferentes países. No terceiro capítulo, pretendemos analisar especificamente como os recursos financeiros (tanto privados quanto públicos) no Brasil estão sendo distribuídos entre (1) políticas e programas de conservação e (2) grupos taxonômicos.


Palavras-chave


financiamento à ciência; gestão ambiental; risco de extinção