Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
Experiência de famílias de crianças com adoecimento raro congênito: considerações sobre a Potência para Cuidar.
Juliana Soares Androlage

Última alteração: 24-10-19

Resumo


Este projeto abarca discussões sobre a Potência para Cuidar na experiência de famílias que cuidam de crianças com adoecimento raro congênito. A partir conceito de Potência, elaborado pelo filósofo Baruch Espinoza, foi possível dar início a construção da ideia da ‘Potência para Cuidar’ (SOARES; ARAÚJO; BELLATO, 2017). A Potência espinozana é caracterizada como força/intensidade altamente variável e flexível de energias vitais que está no interior de todos os viventes, visando o ‘perseverar em ser quem é’ (ESPINOZA, 1983). A esse esforço Espinoza nomeou Conatus, destacando-o como a essência do corpo e da alma, a Potência natural de auto-conservação. Destarte, somos seres originalmente afetivos e, a interação entre esses Conatus produzem afecções, modificações da vida do corpo e das significações psíquicas da vida corporal. Sendo assim, uma afecção pode aumentar ou diminuir a potência de agir de um corpo.  Espinoza desenvolve, então, o conceito de Afeto como o processo pelo qual as afecções do corpo influem na potência de agir, aumentando ou diminuindo, favorecendo ou coibindo a potência e, simultaneamente as ideias dessas afecções. Trazendo tais reflexões para a discussão sobre o ‘cuidar’ na experiência familiar, a noção de ‘Potência para Cuidar’ vem sendo construída referindo-se a um conjunto de disposições, capacidades, recursos e meios disponíveis/mobilizados pelas pessoas na dimensão cotidiana da vida, regendo as possibilidades de o Cuidado por elas prosperar (SOARES; ARAÚJO; BELLATO, 2017). Sendo assim, no cuidado familiar frente à situação de adoecimento raro congênito, considerada a importância da interpretação da família acerca da situação vivida, bem como a ‘Potência para Cuidar’ que ela mobiliza, em meio aos recursos externos que dispõe, o objetivo geral deste projeto é compreender de que modo a Potência para Cuidar influi no Cuidado engendrado pela família à criança com adoecimento raro. Para tanto, serão empregadas diferentes estratégias metodológicas, dentre elas, a Entrevista Compreensiva, desenvolvida pelo sociólogo francês Jean-Claude Kaufmann, que propõe que o campo não seja abordado como instância de verificação da teoria, mas sim como lócus de construção desta teoria, que considera o processo reflexivo do participante, estimulado pelo pesquisador, pois entende-se que “são nas situações de maior intensidade, mas notadamente de maior naturalidade, na interação em campo, que se revelam as camadas mais profundas de verdade” (KAUFMANN, 2013, p.16). Optamos por essa abordagem pela possibilidade de subsidiar elementos teóricos que nos ajudem no amadurecimento da noção de Potência para Cuidar, encarnada na experiência das famílias cuidadoras. Lançaremos mão também da observação, que possibilita a apreensão dos modos e contextos peculiares de vida e cuidado que vão além da fala e se entretecem aos contextos variáveis nos quais o diálogo acontece (ARAÚJO et al., 2013). Este estudo se vincula ao projeto matricial ‘Conceito e abordagem da experiência: reflexões e aplicações teórico-metodológicas em pesquisas qualitativas em saúde’, o qual alimenta o grupo de pesquisa Experiência, Cultura e Sociedade (SECS) do/Diretório de Grupos de Pesquisa/CNPq. O projeto será submetido ao Comitê de Ética em pesquisa com seres humanos e respeitará aos princípios éticos exigidos pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

Palavras-chave


Doenças Raras; Cuidado da criança; Cuidadores Familiares.