Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Efeitos da dinâmica hidrológica na distribuição espaço-temporal do ictioplancton e mapeamento de áreas de desova na Bacia hidrográfica do Alto Paraguai
Tatiane Pires Sousa

Última alteração: 08-10-19

Resumo


As diferentes estratégias de vida dos peixes requerem combinações ambientais que desencadeiam e determinam seu sucesso reprodutivo. Nesse sentido, é possível determinar o período reprodutivo de espécies migradoras através da distribuição de ovos e larvas ao longo do sistema fluvial. Objetivou-se identificar as áreas de desova, mapear a distribuição de ovos e larvas ao longo da sub bacia do Alto rio Paraguai (Mato Grosso – Brasil) bem como os fatores ambientais que influenciam nessa distribuição, analisar a composição e riqueza de espécies e a dinâmica espaço-temporal da assembleia de peixes. As coletas ocorreram em 11 pontos amostrais: rio Formoso (FOR), Juba (JUB), Sepotuba (SEP1, SEP2, SEP3), Cabaçal (CAB1 e CAB2), Vermelho (VERM), Paraguai (PAR), Jauru (JAU) e Mutum (MUT). O ictioplâncton foi coletado mensalmente durante o período reprodutivo de peixes migradores (novembro/2017 a março/2018 e outubro/2018 a março/2019). Para avaliar as diferenças espaço-temporais nas densidades de ovos e larvas foi utilizado o teste ANOVA com medidas repetidas, para a correlação entre densidade de larvas e a distância geográfica utilizou-se teste de Mantel parcial. A diferença na composição de espécies foi testada com PERMANOVA. De novembro/2017 a março/2018 foi coletado um total de 8.515 ovos e 3.003 larvas, com maiores capturas de ovos no rio Sepotuba (SEP3) e de larvas no rio Paraguai. A densidade de ovos apresentou diferenças significativas (F1;4=26,20; p<0,001) em relação aos meses coletados, sendo que os meses de novembro, janeiro (p<0,05) e dezembro apresentaram, respectivamente, as maiores densidades de ovos (7.229 ovos/10m3; 2.604 ovos/10m3 e 1.310 ovos/10m3). As maiores médias na densidade de larvas foram para o rio Cabaçal 2 (1041,7+1287,7 larvas/10m3), seguido pelo rio Formoso (656,11+925,8 larvas/10m3) e rio Paraguai (514,45+763,3 larvas/10m3), enquanto que as maiores médias para a densidade de ovos foram registradas, respectivamente, rios Cabaçal 2 (1338,65+1770,7 ovos/10m3), Jauru (954,75+1646,1 ovos/10m3) e Formoso (590,39+826,3 ovos/10m3). O teste de Mantel demonstrou significativa dependência geográfica na composição de espécies entre os pontos amostrados (r=0,28; p=0,03). A PERMANOVA revelou diferenças significativas para os dados de composição total entre os sítios amostrados (F1;10=1,398; p=0,006). Houve diferença significativa ao se observar a heterogeneidade na composição total de espécies (F1;10=7,47; p<0,001), em que o rio Vermelho diferiu dos demais com exceção apenas para o ponto SEP2. Pôde-se observar que o pico de ovos e de larvas coincide com as primeiras chuvas, desencadeando a desova de muitas espécies de peixes neste ambiente.

Palavras-chave


ictioplâncton, planície de inundação, assembleia de peixes, peixes migradores