Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Tempo e Temporalidade na Política de Currículo Organizado por Ciclos de Formação Humana- Escola Sarã (Cuiabá-MT)
Jucilene Oliveira de Moura

Última alteração: 04-10-19

Resumo


Esta pesquisa constitui-se a partir da análise da política de currículo organizado por ciclos de formação humana da rede pública municipal de ensino de Cuiabá-MT, a Escola Sarã no período de 2000 a 2016. Busca-se responder como se configuram as disputas e os conflitos entre suas diferentes temporalidades? Como os professores, gestores da escola e pais/responsáveis por alunos vivenciam as implicações entre tempo e temporalidade no currículo organizado por ciclos de formação humana? Quais seus desdobramentos para esta política e para o desenvolvimento humano dos estudantes? O objetivo central é compreender as implicações entre tempo e temporalidade na política de currículo organizado por ciclos desta rede de ensino. Articulamos a abordagem do ciclo de política (BOWE e BALL, 1992; BALL, 2005; BALL, MAGUIRE e BRAUN, 2016) à compreensão da política de currículo como política cultural (LOPES e MACEDO, 2011; MACEDO, 2007; 2012); Torres Santomé (2017; 2011;1998) Também fundamenta-se nos estudos de Pineau (2003); Elias (1998); Arroyo (2004; 2007); Gimeno Sacristán (2003; 2008) para compreender as implicações entre tempo e temporalidade na política curricular. A coleta de dados compõe-se por meio de estudo bibliográfico, análise documental, observação não participante, e pelas vozes de professores, gestores da escola e mães/responsáveis por alunos e alunas, coletadas por meio de entrevistas semiestruturadas. Os dados sinalizam que o currículo organizado por ciclos de formação humana confronta-se com a lógica da escola seriada buscando suas referências em princípios éticos mais democráticos de igualdade de direitos, com vistas a garantir aos alunos, o conhecimento, respeitando suas especificidades, cada tempo de vida, em seus aspectos temporais, mentais e culturais. A ideia de um tempo linear, universal, etnocêntrico e totalitário confronta-se com as temporalidades diversas existentes nas relações escolares. A política de ciclos tencionam o debate sobre o direito universal à educação básica e, também colocam em pauta a discussão sobre a organização do tempo escolar como ponto nefrálgico nos sistemas educativos. Impõe-se pensar o tempo em suas diferentes dimensões, ou seja, física, bio-psíquica, social e fenomenológica, assim como as suas implicações para as práticas curriculares. Trata-se de considerar o intercruzamento dos tempos escolares e não escolares, tempos de socialização e de ensino, tempos regulados e tempos vividos e, de tempos que tenham sentido para os alunos.

Palavras-chave


Palavras-chave: Tempo; Temporalidade; Políticas de Currículo; Ciclos de Formação Humana; Escola Sarã