Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Ecologia da fauna flebotomínica e infecção natural de flebotomíneos da caverna Aroe Jari - Chapada dos Guimarães-MT, 2019-2020.
Ludmilla Campos Fernandes Silva, Amilcar Sabino Damazo, Paulo Silva de Almeida

Última alteração: 09-10-19

Resumo


INTRODUÇÃO

Os flebotomíneos são insetos holometábolos, pertencentes à ordem Diptera, subordem Nematocera, família Psychodidae, subfamília Phlebotominae e gênero Lutzomyia (Forattini, 1973). Segundo Galati (2003) são relatadas, aproximadamente, 464 espécies de flebotomíneos sul-americanos, sendo que mais de 243 já foram registradas para o Brasil. Dos gêneros de flebotomíneos do Novo Mundo, Lutzomyia, além de ter importância epidemiológica, é o mais abundante e o de mais ampla distribuição geográfica (Rangel & Lainson, 2003), sendo o gênero em que se encontram os vetores das leishmanioses tegumentar e visceral.

JUSTIFICATIVA

A caverna Aroe Jari é um dos locais de visitação dos turistas que se deslocam ao PNCG, apresentando circulação de turistas ao longo do ano. A vegetação do local é característica do Cerrado, bioma de rica diversidade biológica, apresentando aproximadamente 160.000 espécies, com alto endemismo para alguns grupos. O Parque Nacional de Chapada dos Guimarães é um importante ponto turístico do estado, sendo um dos roteiros mais procurados para turismo e ecoturismo, oportunidade em que o ser humano pode interagir com animais silvestres e o ambiente natural, podendo-se haver maior vulnerabilidade à exposição a leishmânias circulantes no meio silvestre, entre vetores e reservatórios, incluindo-se a possibilidade de infecções com espécies novas de Leishmanias, ocasionando formas mais severas da doença. Levantamentos da fauna flebotomínica e análise de infecção natural ainda não foram publicados para o local. Portanto, um estudo para melhor conhecimento da biologia do vetor no local de estudo, bem como suas correlações ecológicas, caracteriza-se como uma contribuição para o conhecimento de possíveis espécies vetoras de leishamanioses e seu ciclo de transmissão.

OBJETIVOS

Geral

Verificar a presença de flebotomíneos na caverna Aroe Jari do parque Nacional de Chapada dos Guimarães, bem como, período de maior atividade,  riqueza, densidade, preferência alimentar e infecção natural de flebotomíneos.

Específicos

- Determinar as espécies que compõem a fauna flebotomínica, bem como, apontar a abundância e riqueza do local de estudo.

- Apontar o período de maior atividade da fauna flebotomínica, uma vez que a ausência de luz na caverna influencia diretamente o hábito de atividade hematofágica dos flebotomíneos.

- Apontar a presença ou ausência de espécies vetoras das leishmanioses tegumentar (LT) e visceral (LV).

- Correlacionar as variáveis bioclimáticas e a abundância de espécimes do local com a flutuação sazonal flebotomínica.

- Determinar a preferência alimentar flebotomínica no local de estudo.

- Determinar a infecção natural de espécies de leishmânia nas fêmaeas ingurgitadas.

METODOLOGIA

Coleta de Flebotomíneos

As coletas serão realizadas bimensalmente durante três (03) noites consecutivas, ao longo de 12 meses, utilizando-se armadilhas de isca luminosa CDC (Control Disease Center), instaladas ao entardecer e ao amanhecer   perfazendo-se um total de 24 horas por dia, realizando a troca dos coletores a cada 12 horas. As armadilhas serão armadas a 1,5 metro do chão, em cinco pontos. Os pontos escolhidos serão marcados utilizando-se uma tabela espeleotopográfica com a localização geográfica dos pontos de coleta e o critério de escolha será baseado em observações feitas no local, priorizando-se as áreas de maior circulação de pessoas, seguindo-se as recomendações do Ministério da Saúde.

Após a coleta, os flebotomíneos serão eutanasiados em câmara mortífera com acetato de etila, triados utilizando lupa estereoscópica e separados por número de armadilha e data de captura. Os insetos destinados à identificação taxonômica serão mantidos em eppendorfs com álcool 70% para a realização da clarificação das estruturas internas.

As fêmeas ingurgitadas serão destinadas a análise de preferência alimentar e à extração do DNA, sendo armazenadas em freezer a -7ºC.  A análise de preferência alimentar será realizada através do Teste de Precipitina. Previamente ao teste, as fêmeas serão dissecadas para triagem e identificação de espécie. Para a extração do DNA, as fêmeas ingurgitadas, após a  dissecação para a confirmação da espécie, serão colocadas em “pool” de 10 indivíduos em tubo de microcentrífuga. A extração do DNA será realizada conforme Missawa (2008).

Após a extração do DNA, será realizada a Reação em cadeia da polimerase (PCR) genérico e eletroforese em gel de poliacrilamida 6%, assim como a Reação em cadeia da polimerase (PCR) de gene constitutivo específico de flebotomíneo (cacofonia) e eletroforese em gel de poliacrilamida 10%.

Os flebotomíneos serão identificados com a utilização de microscópio óptico, segundo a classificação de Young e Duncan (1994), Martins et al. (1978) e Forattini (1962) especificamente para o gênero Brumptomyia. Havendo material danificado, o espécime será identificado apenas a nível de gênero.

Dados Bioclimáticos

Serão medidas a variáveis climáticas no interior e exterior da caverna, para posterior correlação da detecção de influência sobre a abundância e riqueza do local, tais como: temperatura (⁰C), umidade relativa do ar (%), velocidade do vento (km/h) e pluviosidade (mm).

Ecologia dos Flebotomíneos

A frequência de flebotomíneos por espécime e espécie coletados, será obtido através do cálculo do seu percentual em relação ao total capturado em cada ponto, fazendo-se também distinção em relação à sexagem. Serão utilizados índices de diversidade para uma melhor compreensão das características da população amostrada, são eles:  Índice de Simpson (Dominância), Índice de Shannon-Wiener (Diversidade), Índice de Pielou (Equitabilidade), Coeficiente de Jaccard (Similaridade), Constância, Índice Padronizado de Abundância por Espécie - IPAE/SISA (Abundância), Estimativa de Riqueza de Espécies (Estimadores Jackknife).


Palavras-chave


Flebotomíneos, Leishmaniose, Cavernas