Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Um estudo sobre o rito de oficialização da narrativa decolonial: a democratização do saber emancipatório através da coleção feminismos plurais
Amauri Junior da Silva Santos

Última alteração: 07-10-19

Resumo


O presente estudo busca mapear as estratégias de urdidura de uma narrativa em processo de litígio por sua oficialização na memória nacional. Para tanto, considero a coleção "Feminismos plurais" (2017), organizada pela filósofa e ativista brasileira Djamila Ribeiro, como fonte-objeto de análise. Entendo que a publicação de uma coleção dessa profundidade, que versa sobre assuntos que envolvem a construção da identidade nacional e a análise sócio-política do presente, é sempre um projeto discursivo. Assim também assume Ribeiro no prefácio da primeira edição de “O que é lugar de fala?” – livro que inaugurou a coleção. Vale salientar que, como lembra o filósofo francês Michel Foucault (1986), todo discurso aciona uma teia de tecnologias práticas que ultrapassa a simples referência ou expressão de "algo". Ou seja, o discurso aqui não é compreendido como um mero conjunto de signos (elementos significantes que remetem a conteúdos ou representações desses), mas sim como práticas produtoras dos objetos que referenciam. Em vista disso, realizo uma análise crítica das dinâmicas de construção da narrativa do outro e dos projetos de mundo que anexam esse outro em relação ao que se entende como justo. Vale ressaltar que busco compreender essas dinâmicas em suas diferentes interfaces de apresentação, ou seja, textos acadêmicos, jornalísticos, manifestos, músicas e literatura. A essa altura é plausível afirmar que assistimos uma violação do pacto comunicacional - a clareza e a objetividade do diálogo, fenômeno que ocorre de forma consciente e/ou não. Logo, torna-se um elemento destrutível do potencial do diálogo, pois mina a possibilidade de um conflito de ideias que vise efetivamente a construção de uma ética discursiva - como sugere o sociólogo alemão Jürgen Habermas -, uma vez que o debate torna-se uma disputa para garantir a superioridade daqueles que estão com a razão.

 


Palavras-chave


Feminismos plurais; Discurso; Pacto Discursivo