Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Distribuição e análise genética em Utiaritichthys cf. sennaebragai na Bacia do Paraguai e Alto rio Tapajós, Brasil
Gisele da Silva Ferreira Braga, Hugmar Pains da Silva, Victória Joana da Silva Muller, Daniela Cristina Ferreira, Paulo Cesar Venere

Última alteração: 08-10-19

Resumo


Os peixes pertencentes aos Utiaritichthys Miranda Ribeiro (1937) são tipicamente amazônicos e conhecidos como pacu borracha e pacu palhaço, pertencentes à família Serrasalmidae. Estes foram descrito pela primeira vez na drenagem do rio Tapajós, acima do Salto do Utiariti no rio Papagaio e atualmente contam com distribuição para as bacias dos rios Xingu, Tocantins-Araguaia, Tapajós, Madeira, Trombetas e Orinoco, além de observações que indicam a presença dessa espécie para a cabeceira da bacia do Paraguai, mais especificamente para os rios Sepotuba, Cabaçal e Jauru, contudo não há estudos para estes peixes nessas localidades da bacia Paraguai e a sua real identificação permanece incerta. Em geral, a taxonomia desse grupo ainda não está bem resolvida, principalmente, ao fato de apresentarem semelhanças morfológicas com espécies de outros gêneros, por exemplo, o gênero Tometes. Diante disso, o objetivo desse estudo foi utilizar o DNA barcode (gene Citocromo Oxidase I (COI)) para investigar a ocorrência de U. sennaebragai para a bacia do Paraguai, em exemplares inicialmente identificados como pertencentes à espécie, oriundas das bacias do Paraguai e Alto rio Tapajós (bacia Amazônica). As coletas foram realizadas entre novembro de 2018 a abril de 2019, no rio Jubinha (bacia do Paraguai) e rio Juruena (bacia do Alto rio Tapajós), além de uma amostra de material genético cedida pelo MZUEL (Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Londrina) já identificada como U. sennaebragai coletado no rio Papagaio, localidade tipo da espécie e foi utilizado como amostra controle nesse estudo. Foram realizadas extrações, amplificações e sequenciamento de DNA de onze exemplares de peixes. Nossos resultados preliminares indicam que as espécies do rio Juruena são geneticamente próximas à amostra cedida pelo MZUEL e que estas se diferenciam dos indivíduos do rio Jubinha com 2.0% de distância genética, indicando que as populações de U. cf. sennaebragai das bacias do Paraguai e Alto rio Tapajós são relativamente distintas. Contudo, o número de exemplares cujas sequencias já foram analisadas ainda é baixo e somente com a conclusão dessa etapa poderemos afirmar com maior clareza sobre qual das Unidades Taxonômicas Operacionais Moleculares detectadas correspondem de fato à espécie U. sennaebragai. Apesar disso, as distâncias genéticas entre os indivíduos U. cf. sennaebragai (rio Juruena) em relação ao U. sennaebragai (MZUEL) sugere que se tratam de uma mesma unidade taxonômica, o que já era por nós esperado, visto tratarem-se de peixes procedentes de uma mesma bacia hidrográfica. Este estudo, ainda que preliminar, já revela dados bastante interessantes, todavia, temos a necessidade de concluir o sequenciamento dos demais exemplares já coletados para que se tenha uma análise mais robusta. Além disso, uma análise minuciosa da taxonomia com base na morfológica desses indivíduos será realizada e analisadas em conjunto com os dados moleculares. A análise do COI seguramente contribuirá para o melhor conhecimento desse grupo que possui poucos estudos sobre sua biologia e genética, além de disponibilizar dados moleculares (DNA barcode) para a rápida identificação dessas espécies e possível indicação de espécies candidatas.


Palavras-chave


COI, DNA barcode, Peixe palhaço, Serrasalmidae