Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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DOS AFAZERES DA CASA AOS MODOS DE PRODUÇÃO: EDUCAÇÃO QUILOMBOLA NO ENTRELACE COM A EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA
Benedita Rosa da Costa

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Este projeto de doutoramento propõe-se identificar e responder qual/quais metodologia(s) quilombolas e escola estabelece para formação da identidade cultural? Tem como objetivo central compreender como a identidade cultural quilombola é formada no dia- a- dia, considerando as diferentes práticas de ensino familiar e comunitária que deverá continuar no enlace com a Educação Formal conforme a redação dada pela resolução n° 08/2012/CNE/CEB que define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica. Para essa perspectiva e para o alcance desse objetivo central, entende-se a necessidade de: 1- Observar como se dá a prática de interação e os meios de comunicação entre os quilombolas na família e na comunidade; 2- Identificar os conhecimentos ensinados e como tais conhecimentos instigam, estimulam e motivam os vindouros a formar sua identidade cultural; 3- Apontar que entrelaçados aos saberes locais das comunidades quilombolas, a Educação Formal dar continuidade, forma e fortalece a identidade cultural. Por isso, tem como objeto a formação da identidade cultural quilombola pela educação quilombola e a sua continuidade na escola. A metodologia usada será a história oral, conforme Mattos e Rios (2005) consiste em “dar voz ao passado e leva a história e a memória a colaboração útil e pungente”. As estratégias para coletar os dados serão às entrevistas, conversas, análise documental, caderno de campo, registros fotográficos. Trata-se de uma pesquisa social de abordagem qualitativa por tratar-se de uma realidade que não se quantifica, não se mede e traz o universo das aspirações, das emoções, dos significados, valores, atitudes. A pesquisa será feita na comunidade quilombola Tanque do Padre Pinhal, Chumbo e São Benedito, no município de Poconé-MT. Para a investigação, considera-se o passo a passo de como o quilombola aprende na sua vivência familiar e comunitária, visto que, as conversas, as histórias, as histórias de vidas, o canto, a reza, os velórios, os modos de cultuar a Deus, as festas de santo, as práticas de cura, os trabalhos na roça, os trabalhos em casa, o cuidado com os animais, os nascimentos das crianças são práticas preservadas, valorizadas que ensinam. Nessa relação as crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos estão sempre aprendendo e ensinando. Internalizam, preservam, valorizam como conhecimentos, ciências, tecnologias, experiência e passando esses conhecimentos aos vindouros fortalecendo a cultura. Segundo Gohn (2014) a educação não-formal é aquela que aprende no “mundo da vida” compartilhando experiências principalmente nos espaços coletivos do cotidiano. Articulada com a educação cidadã ela está voltada para a formação de cidadãos críticos, emancipados, livres com um leque diversificados de direitos e cumpridores de deveres com os outros. Gohn (2006) é uma área de conhecimento ainda em construção com possibilidades de estudos em conselho escolar em rede com a sociedade civil. Alguns teóricos, instrumentos legais, artigos, teses de doutorado e dissertações de mestrados darão embasamentos para análise das entrevistas e na produção, tais como Gomes (2015), Arruti (2008), Gohn (2006), Gohn (2010), Gohn (2011), Moura (1988), Fuhrmann (2014), Zoppei (2015), Catarino, Queiroz e Barbosa-Lima (2017), Bendrath (2014), Morais (2012), Pin e Rocha (2017), Costa (2017).

Palavras-chave


Quilombo, Identidade Cultural, Memória e Educação