Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A NATUREZA NA POESIA PRODUZIDA POR SACERDOTES EM MATO GROSSO
Michael Jhonatan Sousa Santos, CELIA MARIA DOMINGUES DA ROCHA REIS

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Esta pesquisa tem por objetivo investigar a existência de uma possível tradição literária em Mato Grosso, fundada em imagens poéticas da natureza, que interligaria as obras de Dom Francisco de Aquino Correia, Pe. Antônio Rodrigues Pimentel e Dom Pedro Casaldáliga ao longo século XX. Por tradição designa-se a transmissão, de uma geração a outra, de conteúdos, formando padrões que se impõem ao pensamento ou ao comportamento, aos quais a referência é obrigatória, seja para aceitar ou rejeitar (CANDIDO, 2000). Tomamos como evidência de tradição a defesa de práticas, objetos e ideias do passado; a reavaliação funcional de elementos tradicionais como estratégia de continuidade e transmissão de legados culturais; a invenção de novas tradições (SAHLINS, 1990). À cata de tais indícios, selecionamos um corpus poético a ser analisado por dois instrumentais teórico-metodológicos complementares: intrínseco, a abordagem fenomenológica; extrínseco, estudos sobre tradição, sociedade e natureza. Por meio das análises, buscou-se: 1) compreender as obras desses poetas de forma autônoma; 2) identificar relações de intertextualidade que as aproximem; 3) interpretar os intertextos à luz do conceito de tradição. O resultado preliminar da investigação, realizada com a poética de D. Aquino, revela que a natureza é, metaforicamente, um arquivo da história de Mato Grosso. Essa figura indica uma “tendência genealógica” (CANDIDO, 1989), na medida em que a poética de Aquino coopera para a consolidação da consciência de uma classe dominante. Em nível metapoético, o eu lírico se transfigura em uma árvore centenária que é, também, poeta. Nesse processo, enuncia uma concepção de poema e poesia que se define por um desejo de interferir no futuro, estruturando, pela tradição, um mundo ao qual já não pertence.