Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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CONSEQUÊNCIAS DA FRAGMENTAÇÃO NA DIVERSIDADE FUNCIONAL DE FORMIGAS EM ILHAS FORMADAS PELO ENCHIMENTO DE REPRESA DA UHE BALBINA – AM
Ludmylla Fernanda de Siqueira Silva

Última alteração: 08-10-19

Resumo


A abordagem em grupos funcionais auxilia na questão da redução da complexidade e permite a identificação de padrões gerais da estrutura da comunidade que influencia os processos ecossistêmicos. Uma das maiores ameaças à biodiversidade é a fragmentação que provoca profundas alterações no ambiente. Ao longo do século XX, milhares de barragens foram construídas para a geração de energia dentre elas, a Usina Hidrelétrica de Balbina, que teve conseqüências ecológicas catastróficas, formando-se diversas ilhas na região da barragem. As formigas possuem ampla distribuição geográfica, sendo um grupo indicador adequado para o monitoramento de mudanças funcionais. O objetivo do trabalho é analisar uma comunidade de formigas para determinar o efeito da insularização sobre a composição de espécies e os grupos funcionais em locais de mata contínua e em ilhas formadas pelo represamento do rio Uatumã para a construção da Usina Hidrelétrica de Balbina. Os dados são do projeto “Predicting biodiversity loss in Forest islands created by a mega-dam in Brazilian Amazonia”. A coleta foi por armadilhas de Pitfall distribuídas em 34 ilhas florestais e em três locais de florestas não perturbadas adjacentes ao reservatório de Balbina. Para demonstrar funções das espécies usamos dez características funcionais. Foram cedidos dados de tamanho, isolamento e de histórico de fogo das ilhas, além dos dados de abundância das espécies. Seis índices comuns de diversidade funcional foram utilizados. Modelos GLM foram usados para verificar a relação dos índices com as variáveis ambientais: latitude/longitude, área, perímetro, distância do continente, isolamento, fogo e elevação e também análises de RDA para verificar a influência das variáveis ambientais na composição. Registramos 89 espécies divididas em nove grupos funcionais. Em relação aos grupos funcionais, mirmicíneas generalistas foi o grupo funcional mais representativo (8). A riqueza de espécies não foi significativa com nenhuma das variáveis ambientais. RaoQ apresentou resultado significativo com a área. A composição da comunidade é significativamente correlacionada com o isolamento e a área. O turnover foi significativo com o fator isolamento. Fogo, isolamento e a elevação foram significativos com os grupos funcionais relativos. O isolamento foi significativamente o mais importante preditor da comunidade de formigas na região da UHE de Balbina. Processos que modificam abruptamente áreas contínuas exercem um efeito negativo sobre a biodiversidade, reduzindo sua resistência. Foram observadas mudanças induzidas pela área e isolamento na composição das espécies nas comunidades de formigas que podem ter consequências nos processos ecossistêmicos. Esse resultado só reforça a necessidade de avaliação da composição das comunidades presentes na região, pois foi visto que outras comunidades animais foram seriamente afetadas pelos mesmos fatores. Os baixos valores de RaoQ apontam que as espécies abundantes são mais similares em termos funcionais e indicam uma maior redundância funcional entre as espécies. Há poucos grupos funcionais presentes nessas ilhas com as menores áreas e baixa elevação e que apresentaram alto grau de severidade do fogo e pouca cobertura florestal ao redor. Desse modo, reforçam que os distúrbios induzidos pelo homem afetam a qualidade do habitat e devem ser considerados explicitamente os efeitos de área e de isolamento nas comunidades.