Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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VIAS POÉTICAS NA EDUCAÇÃO: EXPRESSÕES DA VIDA
Tereza Ramalho de Azevedo Cunha, Luiz Augusto Passos

Última alteração: 07-10-19

Resumo


O presente ensaio surgiu da abordagem de um poema, elaborado a partir de foto extraída durante um carnaval, vivenciado há sete décadas, em ruas urbanas do sudeste brasileiro. No poema transparecem o enredo, a cena episódica, sendo reoperados os conceitos de fenomenologia moderna em M. Merleau-Ponty (1908-1961). Desse modo, são abordadas as dimensões de memória, tempo, escape, forma, animalidade, quiasma, que dão suporte a compreensão de sentido e existência. Ao percorrermos os escritos de Merleau-Ponty, percebemos haverem alusões significativas mediante os textos estéticos como a pintura, a poesia, as fontes literais; poetas como S. Mallarmé, Charles Baudelaire, Paul Claudel, são presenças constantes na obra desse filósofo, pois abordam o ser humano em situação, mostram a construção de um poema inacabado e enunciso, apresentam as existências de seres, pessoas e pessoas poetas, que estão no mundo. Num horizonte sul, o poeta brasileiro Thiago de Mello, observa que os gregos da Antiguidade revelaram que é o poeta quem sabe dar nome as coisas (MELLO, Poesia, 2008, p.319): Instigado por tais revelações, ele aponta os constituintes poéticos da obra de Paulo Freire, observando o uso de metáforas que lhe permitem “andar pelas ruas da história” e narrar história de vida: “o chão foi o meu primeiro quadro-negro; gravetos, meu giz.” (Opus cit., p.320). Este texto é suleado por pressupostos filosóficos acerca da existência em Merleau-Ponty, no diálogo com o vocabulário estético/politizador do educador brasileiro Paulo Freire (1921-1997); segue na forma de uma crônica interpretativa em que interagem os sentidos bióticos na relação com o cotidiano imediato. Enquanto objetivo, este ensaio propõe a práxis de processos, ensino-aprendizagem, mediante textos que poetizem o mundo, podendo os mesmos oferecerem repertórios de figuras de palavras, fenômenos apreendidos do cotidiano, além da reoperação de conceitos de fenomenologia: as estórias de vida, de pessoas, animais, bem como de outros seres da natureza, incluem-se na dimensão poética das expressões vitais.


Palavras-chave


Educação-narrativas poéticas; Fenomenologia-conceitos; Poemas-sentido bióticos; Vida-cotidiano-expressões.