Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Diversificação do complexo Oecomys catherinae Thomas, 1909
Juliane Saldanha da Silva, Rogério Vieira Rossi

Última alteração: 08-10-19

Resumo


Em estudos recentes, Oecomys catherinae foi reconhecida como um complexo de espécies, com cinco linhagens. Duas destas linhagens distribuem-se a oeste do Brasil, denominadas clados “oeste” e “mais à oeste”; a terceira linhagem inclui espécimes distribuídos ao norte de Mato Grosso e sul do Pará, denominada clado “norte”; a quarta linhagem inclui indivíduos da região central do Brasil, denominada clado “central”; e a última linhagem inclui exemplares do sul e sudeste do Brasil, denominada clado “leste”. Entre estas, a linhagem “oeste”, com ocorrência ao sul da Amazônia, foi recentemente referida como Oecomys aff. catherinae, uma espécie distinta ao complexo, devido à sua alta divergência genética em relação às demais linhagens. Aqui avaliamos a divergência genética e morfológica entre as linhagens do complexo O. catherinae. Para isso, utilizamos análises moleculares de Inferência Bayesiana e Máxima Verossimilhança, com base no marcador mitocondrial Citocromo b e íntron 7 do gene Beta-Fibrinogênio, e análises de delimitação de espécies com métodos de bPTP e GMYC. Analisamos a morfologia externa e crânio-dentária de 124 exemplares do complexo O. catherinae e de O. rex, espécie irmã do complexo. Também avaliamos a morfometria neste grupo a partir de 31 medidas crânio-dentárias utilizadas em análises de componentes principais e discriminante. Estes exemplares estão depositados nas coleções do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade do Estado de Mato Grosso e da Universidade Federal de Mato Grosso. Nas análises moleculares recuperamos cinco clados em O. catherinae, que foram tratados como linhagens “oeste”, “norte”, “mais a oeste”, “leste” e “central”. A linhagem “oeste”, que corresponde a Oecomys aff. catherinae, constitui um grupo monofilético com alta divergência genética das demais linhagens de O. catherinae e espécies do gênero Oecomys. Além disso, representantes desta linhagem podem ser diferenciados de outras espécies congêneres a partir de uma combinação de caracteres morfométricos e morfológicos que a definem como uma nova espécie. Os resultados ainda indicam que o complexo O. catherinae é formado por linhagens que igualmente podem corresponder a novas espécies, porém estudos filogeográficos com base em um número maior de marcadores genéticos são necessários para elucidar as relações filogenéticas e a diversificação destas linhagens.


Palavras-chave


Complexo de espécies, Cricetidae, Delimitação de espécies, Taxonomia