Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Cronicidade e trabalho: dignidade humana e valor social do trabalho na trajetória de servidores docentes de instituição de ensino de Mato Grosso
Karla Beatriz Barros de Almeida

Última alteração: 24-10-19

Resumo


Essencial à dignidade humana, o trabalho é reconhecido como um direito fundamental, conforme versa a Constituição Federal de 1988. Nela, o trabalho é arrolado como um direito social de todos os brasileiros e o seu valor social, que se desvela pela explicitação das relações entre dignidade, necessidades, bens, direitos e valores jurídicos, é abordado como um dos fundamentos pátrios. Apesar da constitucionalização do trabalho como um valor de hierarquia privilegiada no sistema jurídico brasileiro, o reconhecimento da centralidade do trabalho para a dignidade humana e como um valor social encontra-se aquém da importância legal atribuída. Tal reconhecimento é importante para se pensar a defesa do direito ao trabalho de pessoas adoecidas crônicas, visto que elas podem optar por continuar trabalhando mesmo mediante a gravidade da doença. Principal causa de mortes no Brasil e no mundo na atualidade, as doenças crônicas são marcadas por início gradual e prognóstico usualmente incerto, duração longa ou indefinida, curso clínico com possíveis períodos de agudização e desenvolvimento de incapacidades. Somente quando tomadas sob a ótica da experiência é que é possível perceber o quanto implicam em mudanças, reajustes e instauração de novos modos de andar a vida experimentados pela pessoa adoecida crônica. A experiência é entendida como aquilo que afeta e permanece, em decorrência das vivências significantes e interações sociais. A experiência de adoecer é marcada por repercussões, que são as implicações das mudanças que ocorrem atreladas à biografia das pessoas, no corpo e contextos em que vivem, advindas de algo “novo” que as interpela. Nesse sentido, algumas questões estão norteando a elaboração do estudo: Quais as repercussões do processo de adoecimento crônico no cotidiano do trabalho? O que mobiliza as pessoas adoecidas crônicas para o trabalho, ainda que possam enfrentar riscos, dificuldades e sofrimento? Quais estratégias utilizadas para o adoecido crônico continuar trabalhando ainda que enfrentando as dificuldades impostas pelo trabalho, pela doença e seu tratamento? Seria o adoecimento crônico um entrave para o alcance da dignidade humana por meio do trabalho? Visando responde-las, o objetivo do estudo é conhecer o lugar do trabalho na promoção da dignidade humana na experiência de adoecimento crônico de servidores docentes. Numa abordagem compreensiva, pela perspectiva socioantropológica, abarcarei contribuições de Schutz sobre experiência e de Berger e Luckman para a compreensão da Sociologia da Vida Cotidiana. Dejours e Arendt são os referenciais escolhidos para abordar a dimensão do trabalho e Wandelli para abarcar o direito ao trabalho. O método biográfico permitirá a consecução do objetivo por meio da entrevista biográfica de servidores docentes de instituição de ensino. O estudo integra o projeto matricial ‘Conceito e abordagem da experiência: reflexões e aplicações teórico-metodológicas em pesquisas qualitativas em saúde’ do grupo de pesquisa Experiência, Cultura e Sociedade, e respeitará os princípios éticos da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. A originalidade do estudo decorre de não haver pesquisas qualitativas que vinculem discussões acerca da centralidade do trabalho para a promoção da dignidade humana de pessoas adoecidas crônicas.

Palavras-chave


Direito ao trabalho; Dignidade humana; Experiência de Doença; Pesquisa Qualitativa