Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Triagem farmacológica in vitro de plantas medicinais utilizadas em Mato Grosso para cicatrização de feridas cutâneas
Cláudio Luís Venturini, Lucas Polizzeli Azevedo, William Kelvin Souza Alves, Domingos Tabajara de Oliveira Martins

Última alteração: 09-10-19

Resumo


A cicatrização é um complexo processo iniciado em resposta à injúria tecidual, com a finalidade de restaurar a função e integridade do tecido afetado. O Mato Grosso apresenta uma rica biodiversidade vegetal e étnico-cultural e os produtos naturais são os principais recursos terapêuticos das populações de baixa renda e comunidades tradicionais, sendo que muitos remédios caseiros carecem de comprovação cientifica. As plantas medicinais são os recursos mais utilizados para auxiliar na cicatrização de feridas cutâneas, e sua triagem é um desafio, devesse desvendar não só sua atividade, assim como o seu mecanismo de ação nos processos envolvidos na cicatrização de feridas cutâneas e os compostos responsáveis pela ação. Os agentes cicatrizantes podem atuar em uma ou mais fases do processo de cicatrização de feridas, dentre atuando na fase inflamatória, proliferativa e/ou remodelamento. O objetivo inicial deste estudo foi realizar uma triagem farmacológica de plantas medicinais utilizadas como cicatrizantes em modelo experimental in vitro pelo ensaio de riscadura. Os extratos foram preparados através da maceração, em etanol:água, do pó da parte da planta utilizada. No caso da Jatrhopha multifida L.   utilizou-se os látex extraídos do pedúnculo da folha, liofilizado. Para avaliação da atividade cicatrizante, células NIH/3T3 (fibroblastos murinos) foram plaqueadas na densidade de 1,2 x 105 células/poço em placa de 24 poços e incubadas a 37 °C e 5 % de CO2 até a confluência de 95%.  Após, foram realizados scratches circulares, com dispositivo desenvolvido no laboratório, e as células foram tratadas com 5 ng/mL de PGDF (controle positivo), extratos hidroetanólicos de Guaczuma ulmifolia Lam., entrecasca (EHeGu) e folhas (EHfGu), entrecasca Lafoensia pacari A.St.-Hil., coletadas em diferentes regiões (EHLp1 e EHLp2), folhas Celtis iguanaea (Jacq.) Sargent (EHCi) e Copaifera malmei harms. (EHCm) e látex liofilizado de Jatrhopha multifida (LLJm) na concentração de 1 µg/mL, em triplicata, cada poço foi fotografado, capturadas três imagens nos tempos 0, 6, 12 e 18 h e calculados a porcentagem de contração da “ferida”.  Três poços foram incubados como controle basal (DMEM+10% SBF). No tempo de 6 h não foram encontradas diferenças significativas em nenhum dos grupos tratados com extratos, látex ou PGDF. Apenas o extrato EHeGu foi ativo no tempo de 12 h, aumentado a migração/ proliferação em 53,68 % (p < 0,05), em relação ao controle basal, efeito esse 3,32% menor que o PGDF (57,00%, p < 0,01), não apresentando diferença estatística entre eles. Todos os extratos e o Latex apresentaram “atividade cicatrizante” no tempo de 18 h, com taxas de contração de 98,02 ± 4,85 % (p < 0,05) a 100,00 ± ,0,00 % (p < 0,01)   e o PGDF de 100,00 ± ,0,00 % (p < 0,01). Então o EHeGu apresentou o melhor perfil de atividade cicatrizante nesse modelo, sendo, portanto, será selecionado para aprofundamento dos estudos fitoquímicos e farmacológicos.


Palavras-chave


cicatrização;plantas medicinais; scratch assay; feridas cutâneas