Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
Deslocamentos identitários e seus significados no contexto das relações étnico-raciais
Fabrizzia Christiane Santos

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Esta pesquisa em andamento analisa os processos identitários no contexto das relações étnico-raciais de uma escola pública do Estado de Mato Grosso para compreender como as relações raciais (re)produzem e (des)localizam identidades de estudantes negras/os e brancas/os. Esta preocupação se dá no contexto de implementação de políticas públicas voltadas à promoção da diversidade e igualdade racial e combate ao racismo, pois no Brasil as desigualdades raciais ainda se mostram um empecilho para o desenvolvimento nacional, bem como para a existência e usufruto dos direitos para a maioria da população, autodeclaradas negras. Entender como a escola vivencia as identidades raciais é um dos caminhos para a construção de espaços mais plurais, sem negar as disputas de narrativas conforme Libâneo (2005), que mostra a escola como local de interesses políticos, sociais e culturais vigentes, entendidos como discursos de verdade. Assim, queremos entender como as relações étnico-raciais se configuram enquanto possibilidades de (re)construção das identidades, problematizadas a partir do conceito de branquitude, o qual versa sobre as ideias, práticas e estratégias de supervalorização do modelo de humano calcado no padrão branco, europeu e em contrapartida tenta colocar o negro como lugar de falta, incapacidade, não humanidade. O conceito de negritude, por sua vez, pode trazer possibilidades de pensar como as identidades negras se configuram e se (re)constroem com outras referências que valorizam, não só as matrizes culturais africanas e de pessoas negras, mas implica uma (re)educação sobre nossas origens e potencialidades enquanto seres humanos. A pesquisa bibliográfica foi necessária para o levantamento dos pressupostos teóricos e conceituais que embasarão este trabalho partindo do conceito sociológico de raça, destacado por Guimarães (2003), como categoria explicativa das dinâmicas e relações entre pessoas negras e brancas, como marca de distinção racial e hierarquização de pessoas, conhecimentos e culturas; este conceito não está pautado no determinismo biológico e cultural, mas busca desenvolver uma crítica ao imaginário produzido a partir dele. Para Skidmore (1976), Domingues (2004) e Schwarcz (1993) as teorias raciais ajudaram a construir esse imaginário assentado na diferenciação racial, estas foram desenvolvidas ao longo do século XVIII e XIX na Europa e Estados Unidos, as quais posteriormente influenciaram pesquisas brasileiras sobre negras/os e brancas/os e o próprio país, reproduzindo e reformulando os estereótipos racistas, os quais basearam políticas públicas como as de imigração e branqueamento racial. Buscaremos em Gilberto Freyre (1977), e seu aporte culturalista uma das principais referências para entender a ideia ainda presente de harmonia racial; a problematização dessa perspectiva idílica será trazida, entre outros, por Fernandes (2007) e Hasenbalg (2005), que mostram evidências da permanência de desigualdades raciais. Além da pesquisa bibliográfica, traremos como metodologia e técnicas a pesquisa participante para nos aproximar do grupo, o grupo focal para debater as perspectivas dos estudantes acerca de suas vivências, além das entrevistas semiestruturadas individuais. Assim buscamos compreender como as identidades negras e brancas, em suas dinâmicas se aproximam da (re)produção e/ou promovem a (des)localização das identidades enquanto narrativas em disputa na escola.

 

 


Palavras-chave


Racismo, Relações étnico-raciais, Identidade Negra