Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Reflexões sobre o silenciamento dos povos indígenas em Mato Grosso
Francieli Aparecida Marinato

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Em nossos estudos de Doutorado temos investigado a relevância da presença e da atuação dos povos indígenas no processo de colonização de Mato Grosso, participação esta que carece de maior destaque na historiografia sobre o período. No presente trabalho, propomos uma reflexão sobre o silenciamento e invisibilidade impostos aos povos indígenas em Mato Grosso paulatinamente ao longo do desenvolvimento e expansão socioeconômica de todo este imenso território, sobretudo a partir do período da República. Com base na análise de parte da historiografia e em reportagens de jornais que tratam da colonização recente da Amazônia matogrossense, sobretudo na década de 1970, observamos a produção de um discurso de exaltação dos migrantes brancos e referências históricas aos “heróis” fundadores e desbravadores de Mato Grosso, os bandeirantes. Por outro lado, estas reportagens tem uma narrativa com exclusão explícita dos elementos considerados indesejados neste processo de colonização moderna, como os agricultores despossuídos, os sem-terras assistidos pelos projetos nacionais de reforma agrária e os povos indígenas.  Assim, foi moldada uma memória regional que é marcada por diversos elementos presentes no discurso propragado desde o período da colonização, bem como pela repulsa aos povos indígenas e a negação de sua existência, ausência que também pode ser constatada nos discursos propagados de forma intencional nas reportagens jornalísticas também aqui analisadas. Assim, no estado brasileiro que tem a quinta maior população nativa do Brasil e o maior território indígena demarcado, o Parque Indígena do Xingu, em pleno ano de 2019 um painel grafitado com o rosto de uma das maiores lideranças indígenas do mundo, o cacique Raoni, gera profundo incômodo. A arte produzida no I Encontro Internacional de Graffiti (Matograff), no município de Sinop, causou tamanha repulsa em uma parte da sociedade e aos políticos locais a ponto de se discutirem a retirada da pintura. Esta foi a demonstração mais recente do processo de invisibilidade contra os povos indígenas, com discursos que saltam das fontes históricas e hoje aparecem em falaciosos argumentos negacionistas nas redes sociais.


Palavras-chave


Povos Indígenas; Colonização; Mato Grosso.