Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Escola Plena em Mato Grosso: percepções docentes
ÉRICO RICARD LIMA CAVALCANTE MOTA, Katia Morosov Alonso, Ana Lara Casagrande

Última alteração: 07-10-19

Resumo


O Projeto Escola Plena surge no contexto do debate educacional sobre o Ensino Médio que permeou o cenário nacional com a Medida Provisória nº746/2016.  Trata-se de um projeto que começou a ser desenvolvido em Mato Grosso ainda em 2017, sendo formalizado posteriormente pela Lei estadual, 10.622/17, aprovada em outubro do mesmo ano. Para dar subsídios teórico-metodológicos ao projeto de escola em tempo integral, a Seduc-MT contratou o Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE) que trouxe como modelo referencial o projeto de escolas em tempo integral implantado em Pernambuco, na década passada.

Segundo o sítio da Secretaria Estadual de Educação, atualmente o projeto Escola Plena está implantado em 40 escolas, atendendo mais de 20 mil estudantes que residem em 28 municípios. Neste contexto, o projeto Escola Plena está em vias de concluir o seu terceiro ano de funcionamento. Consequentemente, já surgem considerações e ponderações de diversas naturezas. Para conhecê-las, é necessário ouvir principalmente os atores que “põem a mão na massa” para que o projeto cumpra seus propósitos. Para tanto, apresentam-se as considerações dos professores coletadas através de uma entrevista semiestruturada. Para fins de realização, escolheu-se uma escola da rede estadual de educação que é considerada referência na implantação do projeto. Foram entrevistados 11 professores num total de 15 existentes na escola. A análise das entrevistas realizadas indica que:

- De forma geral, todos os professores declararam que estão lotados na escola porque escolheram trabalhar com este projeto. Para isso, passaram por uma seleção específica, respondendo sobre a filosofia do projeto.

- Todos os professores entrevistados entendem que a Escola Plena proporciona resultados para seus estudantes, principalmente em relação a autoestima, desinibição, segurança, autonomia, entre outras habilidades que o ajudam a melhorar como pessoa, cidadão consciente e crítico da realidade.

- Os entrevistados se dividem quando perguntados sobre qual seria o modelo ideal: escola plena ou escola regular. Alguns entendem a necessidade de coexistirem os dois modelos, e outros entendem que a Escola Plena deveria ser o único modelo. Todos os professores afirmaram se identificar com a filosofia da Escola Plena.

- Os professores utilizam um discurso semelhante, de forma geral, definem a escola plena com palavras parecidas: protagonismo, autonomia, projeto de vida, acolhimento. Quase todos relatam que a metodologia da escola modificou sua visão de mundo, como profissional e como pessoa.

- Apesar disso, a maioria relata um regime de trabalho extenuante, inclusive com uma variedade de formulários a serem preenchidos. Muitos dizem não se identificarem com o “trabalho burocrático”. As cobranças são muitas.

- Todos afirmaram que colocariam seus filhos em uma Escola Plena. E apenas um não sabe se continuará trabalhando neste modelo de escola, o restante quer continuar. Para eles, não há vantagens financeiras em regime de tempo integral, exceto pelo fato de conseguirem concentrar suas atividades em apenas uma escola. Por fim, eles apresentam possibilidades de melhorias para o modelo de Escola Plena: melhorar a infraestrutura; aumentar recursos de custeio e manutenção; diminuir a burocracia e as cobranças.

 

 


Palavras-chave


Educação; Ensino Médio; Educação Integral; Escola Plena