Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Fogo ao longo da Transição Cerrado-Amazônia: Presente e Futuro
Lucas Barros da Rosa

Última alteração: 08-10-19

Resumo


A transição Cerrado-Amazônia encontra-se entre os dois maiores domínios fitogeográficos da América do Sul, coincidindo com a zona geográfica conhecida como “Arco do Desmatamento”, uma fronteira agrícola que se expande rumo à Amazônia. Dentro desse contexto, o fogo desenvolve importante papel nas alterações de paisagem que vêm ocorrendo nessa transição. Para investigar o comportamento do fogo ao longo da transição Cerrado-Amazônia, com base nas condições climáticas atuais e previstas para 2070 sob diferentes cenários de aquecimento global, construímos, modelos mensais de ocorrência de incêndio. Como variável dependente, utilizamos os focos de incêndio do ano de 2012, provenientes do sensor MODIS e adquiridos através do portal BDQueimadas (INPE). Para a construção dos modelos, consideramos como preditores a antropização, variáveis edafotopográficas e climáticas. Para a construção dos modelos, empregamos técnicas semelhantes às de ‘Modelagem de Distribuição de Espécies’, utilizando diferentes algoritmos (MaxEnt, GLM, GAM, GBM, ANN, MARS, FDA, CTA e RF) durante o processo. Utilizamos 70% dos dados de ocorrência para treino (construção dos modelos) e 30% para teste. Para cada algoritmo executamos 5 repetições com 5 diferentes conjuntos de pseudo-ausências (PAs), ou seja, 25 modelos por algoritmo. Cada conjunto possuía 1000 PAs, com exceção dos algoritmos RF, CTA e GBM, os quais utilizaram o mesmo número de pontos de ocorrência (Barbet-Massin et al. 2012). Para obter um modelo final, realizamos um consenso médio entre todos os modelos gerados pelos diferentes algoritmos. Com os modelos mensais de ocorrência de fogo para o presente, realizamos projeções de incêndios para o ano de 2070 através da substituição dos dados de clima para o presente por projeções climáticas (CHELSA), para diferentes cenários futuros, um mais pessimista (RCP 8.5) e um menos pessimista (RCP 4.5), ambos obtidos através de Modelos de Circulação Geral (GCM). Para a verificação da qualidade dos modelos, foram empregados os critérios avaliativos True Skill Statistic (TSS) e a área sob a curva ROC (AUC), os quais apontaram todos os modelos como satisfatórios. Os produtos finais foram transformados em rasters binários (ausência e ocorrência do fogo) onde o threshold utilizado foi o LPT5, o qual considera registros de ocorrência como critério de limiar. Com as análises, constatamos que a ocorrência de fogo ao longo da transição Cerrado-Amazônia atinge uma área média anual de 25024813,86 hectares (ha) no presente, sendo o mês de Setembro o mais atingido pelos incêndios florestais (31168348,59 ha). Para o ano de 2070, esse valor médio anual aumenta para 25667003,24 ha (RCP 8.5) e 25665423,68 (RCP 4.5), demonstrando o papel que as mudanças climáticas podem desempenhar na dinâmica dos incêndios florestais nessa região. Além disso, constatamos que os incêndios na região passarão a adentrar períodos tipicamente chuvosos, prova disso é que em ambos os cenários, o mês com maior ocorrência para 2070 foi Outubro. A tendência é que o fogo se espalhe mais ao longo da transição no futuro, ocorrendo em regiões onde esse fenômeno ainda é tipicamente ausente. Observamos também a forte tendência atual de concentração dos incêndios em municípios agrícolas do Mato Grosso se intensificando em 2070.


Palavras-chave


Fogo;Mudanças Climáticas;Transição Cerrado-Amazônia