Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Transgêneros: Formação de um público específico e modernização autocrítica no ambiente de pós-graduação na UFMT/Cuiabá
Paula Caroline de Moraes Pacheco, Yuji Gushiken

Última alteração: 18-10-19

Resumo


Este projeto de pesquisa parte da hipótese de que a presença de pessoas transgêneros na condição de estudantes pesquisadores nos cursos de mestrado e doutorado apresentam reivindicações de distintos níveis de complexidade e ainda pouco compreendidas nos âmbitos administrativos e sistêmicos, no ambiente universitário. A presença destes discentes em programas de pós-graduação demanda uma autocrítica organizacional e consequente reorganização dos procedimentos técnico-administrativos na lida com a diferença que se apresenta enquanto tal. As transformações nos modos de representação de gênero têm forçado as instituições a desenvolver políticas de relacionamento mais densas e profissionalmente comprometidas com as demandas por cidadania e subjetividade deste público. No caso de programas de pós-graduação Stricto Sensu, trata-se de: a) consolidar a categoria ‘pessoas transgênero’ como público específico no ambiente de pós-graduação Stricto Sensu, b) compreender as demandas culturais e políticas deste público específico com relação à representação de gênero, c) analisar as condições institucionais do PPG para acolhimento de pessoas transgênero na condição de estudantes pesquisadores. A presença de pessoas transgênero no ambiente da pós-graduação Stricto Sensu, embora ainda discreta e em condição minoritária, apresenta um desafio à cultura organizacional: como se processa a identidade transgênero quando se trata de estudantes de pós-graduação Stricto Sensu, e em que medida o ambiente organizacional de um programa de pós-graduação se dota de autocrítica o suficiente para lidar com a diferença que bate à porta da universidade. O projeto se desenvolve no modelo de estudos da comunicação como cultura, na proposição do epistemólogo Venício Artur de Lima, que tem disciplinas das Sociais e Humanidades como suporte teórico e interface produtiva. Nessa perspectiva, comunicação se define como processo que visa manter, estruturar e reinventar a realidade social. Em proposta interdisciplinar, dialoga com a sociologia (Ulrich Beck) os estudos de gênero (Judith Butler), estudos queer (Tereza de Lauretis), considerando a Secretaria do Instituto de Linguagens, na na subárea do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem (PPGEL/UFMT), como laboratório de observação dos procedimentos burocráticos que estruturam ou não as relações entre programa de pós-graduação e público transgênero. Nessa situação, trata-se de apresentar a necessidade de autocrítica e desenvolvimento de um pensamento comunicacional atento às demandas sociais relacionadas à representação de gênero na cultura contemporânea. O projeto de mestrado é desenvolvido no âmbito do projeto “Laboratório de Jornalismo Cultural e Comunicação Organizacional em Ambiente de Pós-Graduação (Pós-Ciborg)”, registrado na Propeq-UFMT e no Grupo de Pesquisa em Comunicação e Cidade (Citicom-UFMT). A metodologia utilizada constitui-se de pesquisa bibliográfica e exploratória, quantitativa e qualitativa, por meio das quais se pretende elaborar inicialmente o levantamento de estudos de Cultura e Comunicação Organizacional e, em seguida, complementar as referências com as disciplinas que serão estudadas no programa de Mestrado em Estudos da Cultura Contemporânea, na área de Comunicação e Mediações Culturais, que servirão como norteadores na constituição e elaboração deste trabalho.

Palavras-chave


Novos Movimentos Sociais, Estudos de Gênero, Comunicação organizacional.