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COOPERAÇÃO SUL-SUL NO CAMPO DA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA: CONCEITOS E PRÁTICAS EM CONSTRUÇÃO
Oreste Preti, Cristiano Maciel

Última alteração: 21-09-18

Resumo


No final do século passado e início deste, sobretudo durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reacende-se e instaura-se o discurso da Cooperação Sul-Sul (CSS), também nomeada de Cooperação Horizontal ou Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento. Por parte de países emergentes, como o Brasil, e países em desenvolvimento, buscava-se no campo da Cooperação Técnica, um contraponto à modalidade de cooperação até então existente, marcada por uma relação vertical, do Norte com o Sul. O Brasil, assim, de país receptor passou também a atuar como país doador não somente de recursos econômicos como de programas de políticas sociais e educacionais considerados exitosos, sobretudo com países que fazem parte dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Todavia, o que entendiam a diplomacia e o governo brasileiro por CSS? E os estudiosos das relações internacionais e da política externa? Neste artigo, a partir de revisão bibliográfica, procuraremos apresentar algumas destas compreensões, do que se tem produzido sobre Cooperação Sul-Sul e quais os discursos sobre este tipo de cooperação, de maneira particular, no campo da educação. Cabe salientar que há poucos estudos sobre esta modalidade de cooperação técnica e, menos ainda, no campo da educação. Esta metanálise inicial é parte do nosso estudo de tese: “Cooperação Técnica Internacional em Educação a Distância: o caso da Universidade Aberta do Brasil em Moçambique” que tem como objetivo analisar as percepções dos gestores moçambicanos e brasileiros envolvidos no Programa sobre a cooperação realizada.


Palavras-chave


Cooperação Sul-Sul; Expansão do ensino superior; Educação a Distância

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